terça-feira, 4 de novembro de 2008

Copie e cole no seu blogue!

Prezados Leitores,

O que parecia impossível para alguns tradicionalistas aconteceu. A Canção Nova se tornou uma instituição de direito pontifício, com seus estatutos misteriosos aprovados. Ouvi dizer que a festa foi grande, com direito pontifício bem aproveitado para "honrar" São João de Latrão na Basílica que tem seu nome.

Ainda lembrando o antigo site, tinha decidido não colocar mais nada em relação a Canção Nova, mais o convite do site abibiano foi tentador: "copie e cole no seu blogue". Este convite é para que qualquer blogueiro divulgue os videos do site Canção Nova. Quem quiser se dar o trabalho de fazer isso, ainda há tempo, pois os links ainda estão lá e estarão por muito, muito, muito tempo, agora que a Canção Nova não tem nenhum motivo para tira-los.

Não colocarei os links, pois não farei esse favor para eles, já basta o favor que Roma a fez!

"Copie e cole no seu blogue", quanta generosidade!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Origem do Catecismo

Prezados leitores,

Tomei emprestado de um nobre amigo, o “Catecismo Romano”, também conhecido como o “Catecismo de Trento”, porque foi escrito pelo o Santo Papa Pio V que fechou o Concílio (de Trento), que canonizou ou codificou (por via das dúvidas, usarei os dois termos) a missa com a Bula Quo Primum Tempore, o mesmo papa da inesquecível “Vitória de Lepanto”.

O catecismo de Trento é absurdamente, extremamente e doutrinariamente oposto do catecismo moderno de João Paulo II. Só podia, enquanto o catecismo de João Paulo II intencionava ser escrito à luz do espírito do Concílio Vaticano II, o catecismo de Trento se inspirava à luz da tradição católica de 1500 anos. E inspirava-se divinamente.

É um belíssimo catecismo, de formato grande e grosso, capa dura e letras tamanho médio, a linguagem é claríssima, de raciocínio seguro e católico do Santo Papa. Para indicar outro catecismo, só o catecismo formulado por outro Santo Papa, o catecismo de São Pio X ,que é um pouco mais simples, mas também de grande riqueza doutrinal e espiritual.

Desejo aos leitores que desfrutem deste trecho, transcrito por mim, que explica a história do catecismo de forma leal como exatamente está na tradução da língua portuguesa:


1 Noção e origem do catecismo

Na linguagem atual, catecismo é uma exposição das principais verdades de fé, elaborada por escrito, em forma de perguntas e respostas. Primitivamente, designava a instrução dos catecúmenos, e o exame de religião que deviam prestar antes do batismo. Neste sentido ocorre ainda nas obras de Santo Tomás de Aquino. No século XV, já indicava simplesmente a instrução que se fazia às crianças batizadas. ²

Este termo tradicional, Lutero passou a aplicá-lo, desde 1525, ao próximo livro que continha os pontos de instrução, exposto sistematicamente em linguagem simples e popular. ³ Os católicos perfilharam a inovação, sem nenhuma dificuldade. Obedeciam a considerações de ordem pratica, e nem de longe suspeitavam que, mais tarde, os protestantes iriam reivindicar para Lutero, não só a introdução do nome, mas até a invenção do atual catecismo como tal, um legítimo patrimônio da Santa Mãe Igreja. Por isso é que, no fim do século XVI, o Núncio Apostólico Possevin, S.J., protestou energicamente: “Repetimus nostra, non usurparmus aliena.” 4

2 A questão de prioridade

Verdade é que, na Alemanha, a primeira obra catequística, com o título de “Catecismo”, se deve ao humanista e reformador protestante André Altahamer. Publicou-a em 1528, na cidade de Nuremberga. 5 Em 1529, editava Lutero seus dois catecismos, cujo valor didático excedia, e em todos os pontos de vista, ao de Althamer e outros reformadores. Consta que, por ocasião da Dieta de Augsburgo, em 1530, os católicos compuseram também um catecismo, do qual já não existe nenhum exemplar. 6 O primeiro catecismo católico na Alemanha, do qual temos notícia certa, é o do jesuíta Jorge Wicelius, 7 impresso cinco anos mais tarde, em 1533.
Cumpre notar que só na Alemanha existe, propriamente, uma prioridade cronológica a favor dos protestantes. Nas missões da América, como se verá mais adiante , houve catecismos católicos do feitio atual, que são anteriores a Althamer e Lutero.

Não cabe, pois, a Lutero, nem aos demais reformadores, a criação formal do Catecismo. Com efeito, Lutero só lhe usurpou o nome. Quanto à matéria, chegou até a inspirar-se diretamente em antigas tradições da Igreja. Seu pequeno Catecismo contém a explicação dos Mandamentos, do Símbolo, do Pai-Nosso, do Batismo e da Eucaristia.

Ora, desde que Santo Tomás de Aquino, em 1256, expôs em cinco opúsculos separados o Símbolo, o Pai- Nosso, a Saudação Angélica, o Decálogo e os Sacramentos, não é temerário dizer-se que já havia uma ordem tradicional de matérias.

Nesses opúsculos, o Doutor Angélico afasta-se, por assim, dizer, de seu habitual método científico. Adapta-se melhor à compreensão dos engenhos mais simples. Não aduz provas de alta filosofia, prodigaliza exemplos e comparações da vida cotidiana, e de seus arrazoados tira conclusões de alcance prático. 8

Em 1281, o Sínodo de Lambeth fazia dos opúsculos tomistas um conjunto doutrinário, ao qual acrescentou explicações sobre as obras de misericórdia, os sete pecados capitais, e as virtudes que lhe são contrárias.

Mas o primeiro catecismo propriamente dito foi elaborado por ordem do segundo Sínodo Provincial de Lavaur, em 1368. Inspirando-se nos opúsculos de Santo Tomás, expõe, para uso do clero, o nexo orgânico dos principais artigos da fé. Precursor remoto do Catecismo Romano, o manual de Lavaur teve várias edições, mas nenhuma delas chegou até nós. “Catechismus Vaurensis” é o título, pelo qual costuma ser citado em estudos bibliográficos. 9


2) Explica-se a freqüência de notas, neste trabalho, pela a necessidade de documentar. Os dados acham-se dispersos, e não raro discordam entre si. O que dizemos acerca do catecismo católico no século XVI excede os moldes de nosso tema. Não obstante, julgamos útil arquivar, numa obra destinada ao clero, o fruto de pesquisas menos divulgadas através dos manuais escolares. Além disso, convém não esquecer que o século XVI é o século do Catecismo Romano. – 3) LTK V 880. – 4) “Reclamamos o que é nosso, não nos arrogamos o que é dos outros”. Epist. ad Ivonem Tarterium de necessitate, utilitate ac ratione catholici catechismi, Ed. 1576 et 1583 (ap. KL VII 288). – 5) LTK V 880. – 6) LTK V 880. O próprio Lutero alude a esse Catecismo numa de suas palestras de mesa: “Após a Dieta de 1530, foi impresso em Augsburgo um catecismo que difere muito do nosso” (Tischreden S. 116, Frankfurt, 1568 ap. KL VII 296). – 7) Latinização de “Witzel”. – 8) Opusc. XVI VII VIII IV V cf. KL VII 290-291. – 9) KL VII 292.