domingo, 29 de março de 2009

O mundo liberal por excelência

Eis uma conversa pretensiosa, interessantíssima e verdadeiramente intelectual do Prof. Carlos Nougué (que suponho ser da turma do Contra Impugnantes). Confiram!


quinta-feira, 26 de março de 2009

Resultado da 3ª enquete

A idéia oportuna desta enquente e sua respectiva pergunta foi:

A partir da idéia do Presidente Lula, tomei a iniciativa de propor no meu blogue: "O dia do Hipócrita" com H maiúsculo. Na sua opinião, quem deveria ser o(s) grande(s) homenageado(s) neste dia importante?

Resultado final:

Lula e o PT
9 votos (69%)

Lula e os mensaleiros
1 voto (7%)

Lula e Dilma Roussef
1 voto (7%)

Lula e o MST
0 voto (0%)

Só ele
2 votos (15%)

Neste blogue, o voto emana do povo, e o povo da sublime verdade escolheu o Sr. Presidente Lula e o PT como principais homenageados no Dia do Hipócrita, cabe ao Sr.Presidente definir um calendário e se neste dia será feriado nacional. Fica aí a sugestão.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Para entender a enquente e não o Lula!

O Presidente da República Federativa do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, se referindo a Igreja Católica e ao Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Sobrinho, sobre o caso da criança de nove anos que foi estuprada e "convencida" a abortar dois gêmeos, disse em uma entrevista:

"Só não criamos com o Dia da Luta contra a Hipocrisia, mas eu sonho com isso."

Ver a matéria inteira aqui:

Por isso promovi um "trote internético" sugerindo um "Dia do Hipócrita" em homenagem ao Sr. Presidente, que já começa sua hipocrisia dizendo que é cristão. Para quem ainda não entendeu, foi só uma brincadeira e não levarei isso adiante no meu blogue, talvez de outra forma, quem sabe? Mas até que seria divertido! Quantos hipócritas que se dizem católicos existem por aí, não é? Esse foi o meu meio de protestar contra ele! Rebatendo suas gracinhas com as mesmas armas. Eu não ligo com quantas pessoas possam votar, e nem sei se isso chegará até ele, o que importa é o Sr. Presidente saber que neste País ainda existem católicos de verdade!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ridículo!!

Excomunhão por aborto pode ser questionada na Justiça (mas hein?)

Da redação

Promotor diz que excomunhão da mãe e dos médicos que realizaram um aborto numa menina de nove anos de idade pode ser questionada na justiça (questionada na justiça... mas será só isso?).

A justiça comum poderia ser acionada contra a decisão do arcebispo de Olinda e Recife Dom Jose Cardoso Sobrinho que excomungou a mãe e os médicos que fizeram o aborto numa menina de nove anos grávida de gemêos, vítima de estupro praticado pelo padrasto (que piada! o que vão fazer? processa-lo por agir como um bispo da Igreja?). A opinião é do promotor Robertoi Tardelli que considera que a posição do bispo uma demonstração de fundamentalismo (ahh.. entendi, a opinião do Sr. Promotor em matéria de direito canônico vale mais do que a autoridade de um bispo, mas em que se fundamenta o Sr. Promotor já que acusa Dom José de fundamentalismo?)

O arcebispo recebeu apoio do cardeal do Vaticano responsável pela America Latina que disse que a excomunhão é triste, mas justa (sim, justissíma!). Neste final de semana o arcebipo Dom Jose Cardoso Sobrinho disse que pode rever a excomunhão se os envolvidos no aborto se arrependerem e se confessarem mas mantem a mesma posição que levou a condenação religiosa (muito Bom, Dom José!).

O médico Mariano Tamura lembra que uma gravidez de gemeos numa menina tão nova aumentava muito o risco de morte (interessante, mas não pensaram em riscos também para a mãe quando decidiram matar duas crianças). A garota tem 1,33 metro de altura e pesa 36 Kg. O médico diz que vítimas de aborto tem direito de realizar o aborto no inicio da gravidez, mas ele admite que a pressão da igreja pode interferir nas futuras decisões dos médicos. (querem uma liçença do Papa para matar?)

Para o padre e professor de bioética Marcio Fabri dos Anjos faltou inteligência e sensibilidade ao arcebispo de Olinda (tinha que ter uma opinião de um padre progressista.) A condenação do aborto é um principio da Igreja mar (sic) era preciso pensar no sofrimensto (sic) da vítima e da família.

O estuprador da garota esta preso (e vai permanecer preso... pelo menos?) e não foi excomungado (porém está em pecado mortal correndo o risco de ir para o inferno) A garota que passou pelo aborto foi transferida com a mãe para um abrigo.

É demais!!

http://band.com.br/primeirojornal/conteudo.asp?ID=130440&CNL=1

sábado, 7 de março de 2009

Não há quem chore pelas criancinhas

Caros leitores,

Quando estava ainda pensando em escrever alguma coisa contra esses pérfidos abortistas da mídia e do governo, deparei-me com esse ótimo artigo de Dom Lourenço que exprime muito bem a cólera divina contra quem comete essa barbárie, esse ato insano...faço minhas as palavras de Dom Lourenço!

http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/aborto.htm

Ditadura militar no Brasil? ( Parte III e final)

Os militantes comunistas, incluindo os brizolistas, seguiam fervorosamente as influências da Revolução Cubana de 1959 (muitos militantes, entre eles estudantes universitários, viajavam para Cuba para terem aulas de guerrilha) e de Moscou. Cuba e a União Soviética apoiaram maciçamente a luta armada no Brasil. O Brasil vivia ares tensos antes mesmo de 1964, a luta armada ganhava desenvoltura nos campos por meio da articulação das Ligas camponesas no nordeste.

O General Olimpio Mourão Fillho, escreveu um diário com revelações surpreendentes que minam a teoria do golpe de estado. De início, Mourão defendia a legalidade aparente do Presidente Jango. Embora sabendo das péssimas intenções e atuações de Brizola, Mourão observa um erro na sucessão de João Goulart e o atribui aos parlamentares, sobrou para o General Amauri Kruel , acusado por Mourão de encabeçar o golpe. Pois cabia, aos políticos do parlamento, extinguir o regime parlamenatrista para que voltasse o regime presidencialista, então o Presidente tomaria posse. Disse Mourão, até então, defensor de João Goulart:

“Foi o erro crasso, dos constitucionalistas políticos, que consentiu que a posse do Sr. João Goulart tivesse o caráter de sucessor legal do Sr. Jânio Quadros. Ora, a linha de sucessão ficava interrompida naturalmente com a supressão do regime presidencialista. A Câmara deveria ter eleito, pelo voto indireto, o Dr. João Goulart para o primeiro Presidente do novo regime [parlamentarista] que se instalava.” ( SILVA, 1975. p. 210, colchetes meus)

É claro, que para Mourão, João Goulart era vitima de um golpe articulado pelos os militares tendo como principal cabeça o Gen. Kruel. A melhor forma de combater os comunistas, não era depondo um presidente, apesar do “erro dos constitucionalistas políticos”, tal atitude seria considerado golpe. Entretanto , o Gen. Mourão volta atrás nas suas convicções, quando investiga a fundo a questão:

“Mas, caíram-me as vendas dos olhos e comecei a enxergar. Tive a sensação de que estava dormindo e acordara”. (...) Do protocolo da visita do Brizola ( que resolvera ir a Santa Maria, para furtar a reunião e dirigi-la em seu proveito) fazia parte um jantar intimo na casa do Gen. Osvino. (...) Aí foi que percebi que os dois me supunham permanecer ao lado político deles! “[isto é, do lado comunista]. (SILVA, 1975, p. 214. colchetes meus)

Depois de Brizola e Gen. Osvino, terem explanado e entregado de bandeja o plano da revolução marxista no Brasil, assustado e atônito, Gen. Mourão saiu daquela reunião particular jurando em silêncio combatê-los, custasse o que custar. Ficava evidente, Jango e Brizola colaborando com o marxismo no Brasil, o que demonstra que caminhavam na mesma direção, comungando dos mesmos interesses. João Goulart cada vez mais demonstrava-se simpatizante ao marxismo, cada vez mais apoiava os comunistas. Ele (João Goulart) participou de um comício comunista e de uma assembléia com sargentos rebelados no Automóvel Clube no Rio de Janeiro, em 1964, dando o motivo principal que os militares queriam para tirá-lo do poder.

O Gen. Kruel, acusado outrora pelo o Gen. Mourão de encabeçar o golpe militar, não sabia do tal plano brizolista, aliás, a maioria dos militares não sabia, apenas desconfiavam dos fatos e de Jango, tanto é verdade, que o Gen. Mourão foi tentando convencer um a um da revolução que estava prestes a acontecer , através da dobradinha Jango-Brizola.

Jango tinha convocado um plebiscito, e o presidencialismo foi votado pela a maioria dos deputados, conseguindo vitória. Daí os poderes de Jango tornavam-se mais claros. O regime democrático vigente estava ameaçado por um presidente entusiasmado com a esquerda e dando forte apoio a ela. Conforme o Marechal Odilo Denys, não se tratava de golpe, pois que ninguém é obrigado a obedecer a um tirano, e conforme Mourão, eleito ilegalmente.

“Mas se um Chefe de Estado quer dar um golpe de estado e passar a um regime totalitário de esquerda, como foi o caso, fica o oficial desobrigado de sua obediência; para isso ele foi preparado para ter capacidade de discernimento e de opção. Neste caso podia se revoltar, para guardar a bandeira da legalidade democrática em suas flleiras. Era sair da legalidade para entrar no direito.” (SILVA, 1975, p. 203)

E no mais a Constituição de 1946 era mantida, foram criados os ALS ( atos institucionais) para combater os comunistas e não o povo. O primeiro AL (AL-I) foi no governo de Humberto Castelo Branco.

“O Ato Institucional outorgava poderes especiais ao governo contra-revolucionário, mas mantinha o Legislativo, o Judiciário e a Constituição de 1946”. (USTRA, 2007, p. 124)

João Goulart, não vendo outra alternativa para superar a pressão dos militares, da mídia e do povo, abandona seu posto, e viaja para o Uruguai.

Os Estados Unidos não financiaram a “ditadura”

A crença de que os EUA entraram com recursos financeiros para apoiar os militares foi uma farsa montada por um espião tcheco chamado Ladislav Bittman que trabalhava para a KGB.

“Hoje, está provado que a versão da participação dos norte-americanos na Contra-Revolução de 1964 se fundamentou em documentos forjados pela espionagem tcheca que, em 1964, atuava pela a KGB no Brasil.” (USTRA, 2007, p. 118)

O trabalho ideológico da esquerda para culpar os “imperialistas”, como era chamado os EUA e os países aliados considerados capitalistas, se baseava em documentos falsos aliado aos discursos das organizações terroristas, que iniciavam uma campanha contra a “ditadura”, através de pichações, cartilhas, e cartinhas-recados deixados por terroristas após suas ações criminosas no local.

Houve sim, uma reação organizada e criminosa por estes mesmos comunistas contra embaixadas americanas , representantes políticos e empresários americanos que visitavam o país, terminando no assassinato do Capitão Charles Rodney Chandler, a execução foi consumada por integrantes da VPR e um da ALN. Atentados a bombas, assaltos , seqüestros e “justiçamentos” eram as ações costumeiras desses grupos.

A questão dos católicos e “católicos” diante da “ditadura”

A crise econômica não era maior que a crise de valores morais que afetava o Brasil durante a década de 60, mas certamente ambos produziram o avalanche histórico atingindo em cheio os católicos brasileiros. Muitos religiosos, padres e bispos abandonaram a fé e a razão, para colaborarem com os comunistas que não tinham a fé e pensavam terem razão. Estudantes universitários aliciados por comunistas criavam uniões estudantis para enfrentarem a “ditadura” organizando passeatas, muitos destes se diziam católicos. Alguns bispos eram ligados a CNBB entidade que já compactuava com o marxismo. A vergonhosa militância “católica” teve o aval de dois bispos, em particular, durante o regime, surge a figura polêmica de Dom Hélder Câmara e em seguida de Dom Evaristo Arms. A marcha da família com Deus pela a liberdade em São Paulo no ano de 1964, reuniu 500 mil pessoas em resposta ao governo João Goulart, mas não foi promovido pela a Igreja. Como se sabe, a Igreja não apoiou o regime (ver aqui), e nem muito menos ajudou a dar o “golpe”. A questão foi meramente política e não religiosa, porém com o apoio legitimo de padres e políticos contra o comunismo.

As torturas existiram?

Por parte dos terroristas sim, mas sempre levando a morte, de preferência a morte rápida, com execução à bala pelo pavoroso tribunal vermelho. Os justiçamentos do tribunal vermelho eram aplicados nos traidores da causa comunista e nos representantes do “imperalismo” e da “ditadura”. Havia uma “lei” entre eles que determinava a morte de quem entregasse o grupo ou abandonasse a causa, mesmo sendo apenas suspeito. Alguns destes militantes quando sabiam que iriam ser pegos, buscavam a saída no suicídio, mesmo dentro das prisões. Enquanto a tortura atribuída ao regime, argumenta Ustra:

“Muitos afirmam que existiram excessos no tratamento dos terroristas presos. Mas, se existiram, foram poucos. Não foi a regra constante. Durante os ‘anos de chumbo’ , ao depor na justiça, os subversivos e terroristas usavam o argumento da tortura para justificar as confissões existentes nos processos e a delação de companheiros, feitas quando interrogados pelos os órgãos de segurança. Com isso, além de escapar da condenação ou de uma pena mais severa, também se livravam de uma pena pior, o julgamento dos ‘tribunais revolucionários’. (USTRA, 2007, p. 318).

A verdade é que não há provas concretas acerca das torturas, já que os comunistas se identificavam (e até hoje se identificam) com a mentira. Falácias não são provas, falácias são falácias.

Os números

Quantos cidadãos brasileiros foram vítimas do regime? Segundo o “Grupo Tortura Nunca Mais”, a lista total é de 358 entre mortos e desaparecidos. Só que destes 358 cidadãos, segundo Ustra, 212 mortos eram terroristas ou militantes e 139 desaparecidos também eram terroristas ou militantes, porque das 219 pessoas, 7 não têm referências ou motivações políticas e 21 estão desaparecidas ou mortas no exterior, sendo 7 na Argentina, 1 na Bolívia e 5 no Chile e 8 em outros países, absurdamente, na lista das vitimas da “ditadura” militar no Brasil que vai desde atropelamentos de carro até morte de câncer. Estas 21 pessoas mortas, desaparecidas ou exiladas no estrangeiro eram terroristas e militantes. Contudo a relação de terroristas e militantes mortos no Brasil é esmagadora: 219 pessoas, enquanto 7 pessoas parecia não terem nada a ver com comunismo. Para ficar entendido, 351 comunistas e 7 cidadãos comuns, pela a lógica, seriam os que foram mortos pela a “ditadura”.

Já a lista de mortos dos cidadãos comuns feitas pelo ex-capitão Ustra é bem maior, são de 120 pessoas mortas (dentre elas, muitos militares), só que pelo o terrorismo comunista.

Ditadura ou ditabranda?

Para finalizar, termino com estas palavras do Sr. Presidente Lula da Silva:

"O Brasil tem uma história diferente de outros países. Mesmo a ditadura no Brasil não foi violenta como foi no Chile e em outros países". Tem muita coisa que nós não descobrimos, apesar de termos investigado. Determinadas coisas você só vai saber se alguém que participou contar".

Penso que estas palavras do Sr. Presidente é suficiente para não crer em imposições ideológicas e dogmas históricos da esquerda, pois ele próprio sendo esquerdista, admite que “tem muita coisa que nós não descobrimos”. É verdade Sr. Presidente, muita coisa...

Referências:

COURTOIS, Stéphane et al. O livro negro do comunismo: crimes, terror e repressão. Tradução Caio Meira Ed. Biblioteca do Exército/ Bertrand Brasil. Rio de Janeiro, 2000.

FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. Edusp /2ª Ed. São Paulo, 2006

SILVA, Hélio. 1964:Golpe ou contragolpe? Civilização Brasileira/ Edição ilustrada. Rio de Janeiro, 1975.

SILVA, Luis Inácio Lula da. Ditadura no Brasil não foi violenta como a do Chile, diz Lula: Lula é um dos primeiros chefes de Estado a se pronunciar após a morte de Pinochet. Estadao.Com.br, 2006. Disponível em: http://www.estadao.com.br/arquivo/mundo/2006/not20061215p54144.htm

USTRA, Carlos Alberto Brilhante. A verdade sufocada : a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça. 4ª Edição/ Índice onomástico Ed. Ser, Brasília, 2007

segunda-feira, 2 de março de 2009

Entrevista de Dom Fellay ao site The Remnant



Mershon: O Vaticano, em uma carta datada de 21 de Janeiro de 2009, do Cardeal Giovanni Battista Re, Prefeito para a Congregação dos Bispos, anulou o decreto de excomunhão de 1988 dos quatro bispos da Fraternidade. Os fiéis católicos associados com a fraternidade, assim como diversos católicos em todo mundo, que se identificam com sua causa atribuíram ao menos em parte ao recente 1.7 milhões de terços do rosário que foram oferecidos para o levantamento das excomunhões. A que extensão você atribui a decisão do Santo Padre a este ramalhete espiritual?

D. Fellay: Tudo está nas mãos de Deus e Deus sabe melhor. A interação entre o plano de Deus para o mundo e o feitio dos homens é um grande mistério da fé. Eu tenho certeza de que sem a cruzada do rosário, o decreto de 21 de janeiro não seria publicado. Deus sabia da cruzada do rosário e da decisão do Santo Padre. Cada oração teve sua parte no plano de Deus.

Mershon: Em diversas afirmações públicas durante estes últimos anos, você previu que se o Santo Padre anulasse as excomunhões dos bispos da Fraternidade haveria uma grande batalha interna e talvez alguma dissidência de bispos e até de cardeais dentro da Igreja. Que você ouve a respeito dessa batalha não é somente contra a FSSPX, mas o Santo Padre também?

D. Fellay: De fato, eu não tenho muita informação do que está acontecendo no Vaticano agora. Eu apenas vejo que há uma luta, com alguns apoiando o papa, e outros que usam a situação atual para pôr pressão sobre o papa e seus amigos.

Mershon: Você nunca pensou que isto resultaria em tão negativa publicidade e ataques da mídia secular?

D. Fellay: Definitivamente não. Na verdade, eu não tive nenhuma idéia específica do que seriam as reações da mídia ou das conferências de bispos. É óbvio, isto ocorre há anos, que há uma oposição forte contra nós entre os progressistas, mas era impossível imaginar que usariam tais armas contra nós como agora têm feito há semanas.

E infelizmente, o Bispo Williamson providenciou-os com uma inesperada arma para lançarem seus ataques contra nós. E assim o mundo secular e os progressistas juntos poderiam nos atacar e criar uma pressão tremenda no Papa sobre algo que não tem nada a ver com a fé. Parecia que diversos cardeais podiam discernir que naquele tumulto e tempestade estava a obra do diabo. Vamos esperar que eles sigam mais adiante em suas conclusões.

Mershon: O que se segue? Você tem um calendário específico para as discussões teológicas nos pontos difíceis do Vaticano II? Pode nos dizer quem participará nestas discussões na FSSPX e dentro da cúria romana?

D. Fellay: Nós não temos nenhum calendário ainda. Nós veremos com Roma nos próximos meses como as coisas se tornarão com estas discussões necessárias sobre a doutrina e também elementos importantes da vida cristã. Nós revelaremos no tempo oportuno os nomes daqueles que participarão destas discussões.

É claro que parte destas discussões deve ocorrer em uma atmosfera calma, longe da mídia, a fim de ser frutuoso. Nós daremos certamente a informação necessária ao nossos fiéis. Mas tudo isso deve primeiro transformar-se em uma realidade concreta.

Mershon: Sua carta aos fiéis católicos diz, “nós estamos prontos para escrever o credo em nosso próprio sangue, para assinar o juramento anti-modernista, a profissão de fé de Pio IV, nós aceitamos e fazemos nossos todos os concílios até o Segundo Concílio Vaticano sobre o qual nós temos algumas reservas.” Nas entrevistas subseqüentes do Cardeal Castrillón e nas suas, reivindicou-se que talvez o Vaticano II não era tão grande obstáculo como muito se tem suspeitado. O Cardeal Castrillón disse que você já o tinha aceitado “teologicamente.” E em sua entrevista com o Monde & Vie, você indicou que o suficiente esclarecimento era necessário, mas não necessariamente uma lista exaustiva de pontos teológicos que poderiam continuar interminável. Poderia esclarecer para nós os pontos específicos, presumivelmente no Decreto sobre o Ecumenismo e na declaração sobre a liberdade religiosa sobre que você procurará o esclarecimento? Talvez Gaudium et Spes também?

D. Fellay: Antes de mais nada, se alguém pensa que tenho aguado nossa posição, está errado. Nossa posição permanece exatamente a mesma. E quando eu disse que o suficiente esclarecimento é necessário e não necessariamente uma lista exaustiva de pontos teológicos, eu quero dizer que todos os pontos e princípios essenciais que conduziram a igreja até a atual crise precisam ser resolvidos; mas naturalmente, não todas as conclusões que se tornariam longas demais e poderiam ser uma tarefa interminável. Uma vez que os princípios são sons das conclusões que se seguirão.

Os pontos específicos: nós estamos confrontados com uma montanha enorme. Primeiramente, há um espírito, que nós podemos chamar modernismo. Há também uma linguagem muito ambígua que está sendo usada ao longo do teste padrão da linguagem da filosofia moderna. Isto dá o falso espírito que permeou todo o Concílio. O fato é que há assim muitas ambigüidades que conduzem a diversas interpretações dos textos, e mesmo o Papa Bento XVI condenou as interpretações extremistas dos ultra-progressistas.

Em seguida, nós temos toda a questão das relações entre a igreja e o mundo. No Concílio, há uma visão muito positiva e humana centralizada que estraga tudo, especialmente na Gaudium e Spes e Lumen Gentium. Há uma maneira muito positiva de considerar as outras religiões, que naquele tempo, eram chamadas ainda de “falsas religiões.” Agora este termo tem sido abandonado. Quer dizer que seriam mais verdadeiras agora?

A liberdade religiosa é um elemento fundamental do pensamento moderno e da filosofia moderna. Naturalmente, você pode encontrar alguns pontos bons em outras religiões, mas a doutrina verdadeira deve ser encontrada em distinções profundas e necessárias.
Tomemos os direitos humanos, por exemplo. A Igreja sempre defendeu e protegeu muitos direitos humanos. A Igreja diz que estes direitos emanam dos deveres dos homens para seu Criador. Não são absolutos; são sempre dependentes do verdadeiro e do bem. Você nunca encontrará um direito que seja baseado no erro ou no mal. Conseqüentemente, colocam a ênfase na pessoa humana, como é feito agora, podendo conduzir ao erro profundo. E isto não significa que não há um uso verdadeiro e necessário da consciência humana, por exemplo. … Certamente, nós temos uma tarefa enorme diante de nós.

Mershon: O Santo Padre (em sua carta aos Bispos do Chile em 1988), assim como o próprio Papa Paulo VI, ambos disseram que o Concílio Vaticano Segundo era meramente pastoral, sem a nota de declarações dogmáticas do nível do Magistério Extraordinário. Com isto em mente, que tipo de decisões você espera alcançar com a Santa Sé?

D. Fellay: Nós apresentaremos a Santa Sé nossos questionamentos, nossos problemas. Nós esperamos que se expressem com suficiente claridade de modo que as respostas certas e apropriadas sejam dadas. Nós esperamos definitivamente do Santo Padre e da Santa Sé um esclarecimento verdadeiro do Concílio. O que precisa ser corrigido deve ser corrigido. O que precisa ser rejeitado deve ser rejeitado. O que precisa ser aceitado deve ser aceitado.

Mershon: O Instituto do Bom Pastor, segundo dizem, foi permitido reter suas opiniões teológicas ao continuar a aplicar na discussão sobre os pontos debatidos do Vaticano II, sem polêmica, no coração da igreja. Você prevê uma missão similar para a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X? Como ela poderia diferir daquela do Instituto do Bom Pastor?

D. Fellay: Não há nenhuma comparação entre o Instituto do Bom Pastor e o trabalho que nós estamos começando. Certamente, no documento de suas constituições havia uma menção de aplicar na discussão acerca dos debates públicos. Mas até agora, onde estão aquelas discussões? Eu não conheço nenhuma. Nós estamos em uma situação completamente diferente em nossa relação com a Santa Sé porque a Santa Sé reconhece a necessidade de aplicar aos estudos doutrinais e falar conosco.

Mershon: É claro a Fraternidade reconhece o Concílio Vaticano Segundo como um concílio da Igreja. Você acredita que esperam sua adesão a mais do que aquilo que é compreensível aderir nos documentos com a mesma autoridade teológica e certeza que a Igreja assegura-os?

D. Fellay: Se nós formos pela última indicação da Secretaria de Estado, poderíamos temer que Roma impor-nos-ia uma plena aceitação do Vaticano II. Mas de novo, o que isso significa? O que é o real Vaticano II quando há tantas interpretações diferentes? Mesmo nos últimos 40 anos, o que foi o Vaticano II? Ele é, de acordo com sua própria definição, um concílio pastoral, e não dogmático, e assim ele não pode de repente ser interpretado como inteiramente dogmático. E a considerar a autoridade dos documentos, porque nós não encontramos nenhum tipo de declaração clara de sua autoridade, existe uma grande confusão nesta questão. Muito claramente, sua autoridade não pode ser maior agora do que o próprio Concílio disse ser. E o Concílio não quis ser infalível.

Mershon: Você prevê algum descuido por bispos territoriais diocesanos uma vez que a Fraternidade seja regularizada?

D. Fellay: Seria a nossa morte. A situação da igreja é tal que uma vez que as questões doutrinais forem esclarecidas, nós precisaremos da nossa própria autonomia para sobreviver. Isto significa que teremos que estar diretamente sob a autoridade do papa com uma isenção. Se nós olhamos a história da igreja, nós veremos que cada vez que os papas quiseram restaurar a igreja, eles se apoiaram na nova força como os beneditinos cistercienses a quem o papa permitiu que atuassem tão bem quanto foi possível durante a crise, em um status de isenção, de maneira a superar a crise.

Mershon: Você espera uma prelazia pessoal ou talvez uma Administração Apostólica para a FSSPX, informando diretamente a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei?

D. Fellay: Parece que o projeto que Roma tem guardado para nós está indo nessa direção. Mas eu não tenho certeza.

Mershon: Você falou no passado sobre alguns bispos, cardeais e talvez até membros da cúria, que são amigáveis a FSSPX e a sua causa. Poderia nomeá-los ou dar-nos um indício a respeito de quem são e de quantos são?

D. Fellay: A situação da igreja, mais uma vez, é tal que nós não podemos dar nenhum nome. Tornaria a vida muito difícil ou insuportável para estes clérigos. Encontramos certamente mais simpatia com alguns bispos. Mas por quanto eles mesmos não declararem isso publicamente, não é prudente para nós dizer qualquer coisa.

Mershon: De que extensão você vê as discussões teológicas tomarem lugar? Que marco temporal você espera para a plena regularização canônica e a conseguinte missão para a FSSPX?

D. Fellay: Eu não tenho nenhuma idéia sobre o tempo necessário para o trabalho nas questões doutrinais ou mais tarde para o estabelecimento da nova estrutura canônica. De novo, eu insisto que a situação atual mostra muito claramente que é inconcebível endereçar a questão canônica antes de resolver os principais problemas teológicos.

Mershon: Este diálogo com a Santa Sé iniciou-se com seu encontro com o Papa João Paulo II durante o ano do jubileu em que você, segundo disseram, trocou breves cumprimentos e rezou o Pater com o Santo Padre. Quanto você atribui este potencial rumo ao pleno reconhecimento ao Papa João Paulo II a aquele inicial encontro?

D. Fellay: É muito difícil dizer se a primeira iniciativa veio do papa ou da influência de determinados cardeais sobre ele. Nós sabemos que por anos, alguns cardeais, e talvez até o próprio papa, estavam cientes da crise, e da profundidade da crise mesmo nós não concordando com ele em todos os pontos, e especialmente sobre as causas da crise. Ao mesmo tempo, consideram-nos como forças potenciais úteis para superar a crise. Mas eu não daria muita importância à reunião com o Papa João Paulo II, pois não falávamos de tudo. Eu apenas a considerei como um pequeno passo em direção a um processo que já tinha começado.

Mershon: Há uma tendência para o anti-semitismo nas fileiras da FSSPX? É “anti-semita” em sua opinião, rezar e trabalhar e dialogar para a conversão de judeus religiosos à fé católica? E por que pensa que há tal sensibilidade na mídia ao suposto “anti-semitismo” como se fosse sob cada pedra? Você acha que é apenas mais anti-catolicismo dos políticos, da mídia e de outros formadores de decisões na sociedade ocidental? Em caso afirmativo, por que você acredita que o anti-catolicismo tem passe livre da mídia secular e mesmo de meios católicos?

D. Fellay: As palavras “anti-semita” ou “anti-semitismo” são ambíguas. Elas têm pelo menos dois significados completamente diferentes. Primeiramente, a palavra “Semita” refere-se a todos os povos que são descendentes de Sem, um dos três filhos de Noé. Não somente os judeus, mas também os árabes pertencem a esta filiação da humanidade; eles são todos semitas.

Neste sentido, a palavra refere-se a raças, ao povo, e não tem nenhuma conotação religiosa. O anti-semitismo é condenado pela Igreja como uma espécie de racismo. O racismo é uma injustiça e é contra o mandamento da caridade para com nosso vizinho.

Há um outro significado dado ao anti-semitismo, que é conectado à religião, e especificamente, a religião judaica. Na situação atual, qualquer um que faz qualquer comentário sobre a religião judaica, ou, por exemplo, diz que o povo judeu deve abraçar a fé, poderia muito facilmente ser rotulado como anti-semita. Mas isto é errado. De fato, para responder a sua pergunta, no mundo existe muito mais anti-catolicismo do que anti-semitismo. O problema é que o anti-catolicismo permanece no domínio religioso, enquanto que o anti-semitismo é quase imediatamente ligado ao povo judeu, o que é, de novo, muito ambíguo e impreciso.

Mershon: Há relatos de que o Cardeal Re não estava muito feliz com o papa que o ordenou a escrever a carta de anulação das excomunhões. Supostamente, ele e outros na cúria não estão satisfeitos com a influência manuseada por Cardeal Castrillón nesta matéria importante. Pode você confirmar ou negar estes relatos? Como você espera as relações daqui pra frente com a Cúria Romana e os outros bispos, presumindo a regularização canônica e uma missão jurídica a serem finalizadas em breve?

D. Fellay: Eu não posso nem confirmar e nem negar estes relatos. Eu não estou na Cúria Romana e o que está acontecendo lá dentro é desconhecido por mim. O que eu vejo é que o Cardeal Re assinou o decreto, no qual eu presumo que ele obedeceu ao Santo Padre.

Mershon: Você tem algum pensamento perto que gostaria de compartilhar com os católicos interessados nestas “notícias alegres para a toda a Igreja”, como o porta-voz do Vaticano Padre Frederico Lombardi a traduziu?

D. Fellay: Se nós olhamos a maneira com que estas excomunhões foram surpreendentemente levantadas; se nós olhamos especialmente na inegável ligação entre este fato do decreto que remete às excomunhões e a agitação inacreditável despertada logo depois baseada em um incidente que não teve nada a ver com a fé, nós não podemos ver que lá existem forças que permitem destrinchar o que não é humano.

Eu ouvi de diversos cardeais que acreditam que era o diabo que permitia destrinchar. E sempre a raiva do diabo com muita violência e alvoroço, é um bom sinal. Nós não podemos ainda perceber o que tudo isso significa. Mas para nós, é um convite a rezar e se sacrificar mais.

A Igreja é um ser essencialmente sobrenatural, e nós não podemos inteiramente explicar a Igreja, ou mesmo os frutos e as conseqüências dos atos humanos executados na Igreja se olhamos somente no lado humano.

A cabeça da Igreja é, e sempre será, o Nosso Senhor Jesus Cristo. A alma da Igreja é o Espírito Santo. Nosso senhor prometeu que sua igreja seria indefectível. Então, façamos o nosso melhor, ser fiéis a nosso dever de estado, rezar ao Coração Imaculado de Maria, e rezar nosso rosário.

E então, tudo terminará bem.

Fonte: The Remnant