sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Quinto Segredo de Fátima?

Antes de falar sobre o contundente artigo da Dra. Marian T. Horvat Phd, volto um pouco, e escrevo um resumo histórico, lembrando a trajetória de Antonio Socci, jornalista italiano e católico, que envolveu-se em uma intensa polêmica contra o Cardeal Bertone, que conseqüentemente envolveu toda a Cúria Romana. Socci, outrora negador do acobertamento do Terceiro Segredo de Fátima, “virou a casaca” e chegou a um nível de questionamento lógico acerca da publicação e divulgação visivelmente incompleta do Terceiro Segredo. Sua indignação se transformou em um livro de sua autoria chamado “O Quarto Segredo de Fátima”, que pretendia denunciar o encobrimento do Terceiro Segredo publicado em 2000. Socci repudiou a idéia do “bispo vestido de branco que cai morto era João Paulo II”, percebendo um sofisma envolto num quarto segredo ( que esconde a interpretação correta da visão profética de Lúcia) com que o Vaticano implicitamente deixou pistas por meio das interpretações simplistas e enganadoras do Cardeal Bertone, Ratzinger e Sodano.

Segundo Socci, o Vaticano esconderia algo mais no “etc”, o restante da mensagem que Nossa Senhora confidencia a Lúcia: “Em Portugal sempre se conservará o dogma da fé e etc”. Mas não foi só Antonio Socci que percebeu a incoerência nas interpretações dos textos e o controverso “etc” na frase de Nossa Senhora. Infelizmente, ele e os outros críticos teriam razão, infelizmente, há outros etcs, outros enigmas que envolvem o Terceiro Segredo de Fátima, que daria um ótimo filme de suspense.

É doloroso, como católico, pensar que além desses etcs, o Vaticano, seguindo as coordenadas do Pacto de Metz ou atendendo os apelos dos homens de boa vontade aceitariam a infiltração de uma agente duplo, uma espiã da KGB, uma impostora no Carmelo de Coimbra. E nem quero pensar muito sobre tal possibilidade, contundo, deixo claro, para não haver mal-entendidos, que esse é o meu pensamento.

Sabemos que a revelação do Terceiro Segredo deveria ter se tornado público pelo Sumo Pontífice em 1960. A Irmã Lucia queria sua publicação em 1960 porque Nossa Senhora mandou que assim o fosse, tal fato foi confirmado por vários prelados, um deles, o último entrevistador de Lúcia antes de 1960, o Padre Fuentes.

A Irmã Lúcia trocou a Ordem das Irmãs Dorotéias da Espanha pelo Carmelo de Coimbra, de lá pra cá, após o Concílio Vaticano II, Irmã Lucia apareceria a Paulo VI mais forte (ver foto acima), ou gorda, e desinibida, seu comportamento tímido, fechado e sua expressão triste haviam sumido, dando lugar uma expressão alegre, aberta e satisfeita com que não foi cumprido.

Essas observações foram feitas pela Dra. Marian Horvat (não a conheço, só enfatizo como ela se apresenta) embora eu as coloque com minhas próprias palavras, ela mesma suspeita que “Irmã Lúcia II”, a versão gorda e alegre, só reapareça depois de 1960. Sem dúvida, a “Irmã Lúcia I” tinha uma feição triste e sofrida, conforme se observa nas fotos da fonte (obviamente, não na foto ao lado esquerdo).

É duro o que Marian Horvat nos apresenta. São duas irmãs lúcias completamente diferentes, no físico, comportamento, expressão facial. Há detalhes que não resta duvida, por exemplo, a diferença da boca, do sorriso, dos dentes da Irmã Lúcia I Dorotéia.

Em relação à boca da Irmã Lúcia I, quando sorri forma um “U”, enquanto a Irmã Lúcia Carmelita, a Irmã Lúcia II, seu sorriso forma um “U” invertido. Outro argumento da Dra. Horvat é que a “Irmã Lúcia II” aceita a missa nova e não combate os erros do Vaticano II. De fato, isso poderia ser explicado pela regra da obediência, porém hoje em dia é um argumento tipicamente sustentado por “conservadores”. Para finalizar coloco aqui alguns questionamentos pertinentes:

1- Onde está a verdadeira Irmã Lúcia (viva ou morta)?

2- Por que só a Dra. Horvat conseguiu perceber em fotos a diferença gritante entre a Irmã Lúcia Dorotéia e a Irmã Lúcia Carmelita o que Antonio Socci, FSSPX, Padre Kramer, Prof. Orlando Fedeli e tantos outros naõ conseguiram perceber na Irmã Lucia ainda em vida?

3- Onde estão os parentes da verdadeira Irmã Lúcia? E por que não se manifestaram?

Essas e outras interrogações devem estar com os leitores, se for mesmo uma impostora, está lá uma farsante com nome da Irmã Lúcia na lápide, sepultada na Basílica de Fátima ao lado de Francisco e Jacinta.

Rezemos pela a consagração da Rússia que venha o mais breve possivel! Para que os anseios da verdadeira Lúcia e a vontade de Deus e a Santa Virgem de Fátima enfim se concretizem! Rezemos!

É só.

Ver os artigos da Dra. Horvat aqui:

Two Sisters Lucys of Fatima?
Photos and Facts

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O sobrenatural



“Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes milagres e prodígios (...)" (Mt 24, 23-29)

Para nós cristãos, não há como duvidar da profecia de Jesus. Se não tem como negar a enxurrada de pseudo videntes, no Brasil e no mundo do pós-concílio, nos quais destaco os cincos divertidos, e estranhos, videntes de Medjugorje e a perturbada greco-ortodoxa Vassula Ryden, não tem como negar mesmo assim que são falsos profetas. Além do que, também, os falsos profetas são aqueles que fazem falsas profecias atribuidas a Nosso Senhor, a Virgem Santíssima e aos seus Santos e Anjos.

Outros tão loucos que se vestem como o próprio Cristo, mas sem fazer milagres e grandes prodígios, tem trazido para seu lado muita gente considerada equilibrada nas suas faculdades mentais, enquanto que aqueles que se "vestem" de profetas quais tais à Cristo e dizem receber revelações enviadas por Ele, balbuciadas em línguas que não chegam a ser nem um dialeto, enquadram-se no rol da mística fajunta. Esses são os carismáticos.

Muitos destes, e os que não foram citados por mim, não têm feito grandes milagres e grandes prodígios, e sim muitos sofismas e blá-blás, talvez com raríssima exceção para Medjugorje, pois pode ser, acredito, que há alguma coisa de demoniaca nos prodígios atribuidos a “aparição” de lá, se isso proceder, é de ordem sobrenatural. O que é ordem natural, com certeza, é que atualmente esses videntes lucram bastante com tal empreendimento.

Agora, falando de uma evidência forte de ordem sobrenatural, há um jovem chamado Christopher Nicholas Sarantakos, o Criss Angel, mágico e ilusionista, que está fazendo muito sucesso no canal fechado da A&E Mundo. Este seria um belo exemplo de falso messias!

Primeiro observem um trecho de sua biografia:

“Estudou misticismo, mágica, música, artes marciais e dança quando adolescente”.

Agora atentem para esse curto video:







Este video pelo menos me diz alguma coisa sobre a ordem sobrenatural, afirma inequivocadamente que ela existe e refuta o argumento imbecil de que foi inventada pela Igreja. Para aqueles mais céticos porém sempre será um truque. Aos olhos do mundo, Criss Angel é apenas um rapaz simpático que gosta de se divertir vendendo ilusões. Contundo Nosso Senhor fez milagres e prodígios ainda maiores do que estes e não foi reconhecido pelo mundo, pois seu Reino não é desse mundo.

Uma resposta a Padre Fábio de Melo




Milagre de Lanciano

A antiga Anxanum dos “Frentanos” (povo da Roma antiga) conserva, depois de mais de doze séculos, o primeiro e maior Milagre Eucarístico da Igreja Católica. O Milagre aconteceu no século VII d.C., na pequena igreja de S. Legonziano, pela dúvida que teve um monge da Ordem Basiliana sobre a verdadeira presença do Cristo na Eucaristia. Durante a celebração da Santa Missa, depois da consagração, a hóstia transformou-se em Carne viva e o vinho tornou-se Sangue vivo, aglutinado em cinco glóbulos irregulares e de diversas formas e tamanhos.

A Hóstia-Carne, como se pode ver muito bem hoje em dia, tem o mesmo tamanho da hóstia maior usada na Igreja latina, é de côr levemente escura e torna-se rósea quando posta contra a luz.

O Sangue é coagulado, de côr pálida tendente ao amarelo-ocre.

A Carne fica guardada, após 1713, num artístico ostensório de prata, elegantemente cinzelado, da escola napolitana.

O Sangue fica dentro de uma rica e antiga âmbula em cristal de rocha.

Os frades Menores Conventuais guardam o Milagre desde 1252, por vontade de Landulfo, bispo da vila de Chieti, e com bula pontifícia de 12 de Maio de 1252.

Os monges da Ordem de São Basílio guardaram o Milagre até 1176 e os Beneditinos até 1252.

Em 1258 os Franciscanos construiram o santuário atual, que foi transformado em 1700 de românico-gótico em barroco.

O “Milagre” foi colocado antes numa Capela ao lado do altar maior e depois, desde 1636, num altar lateral da Nave, onde ainda se conserva a antiga custódia de ferro lavrado e a epífrage comemorativa.

Desde 1902 o Milagre está custodiado no secundo tabernáculo do altar monumental, erigido pelo povo de Lanciano no centro do presbitério.

Após várias inspeções efetuadas pela Igreja a partir de 1574, um exame científico foi efetuado em 1970-71 e outra vez em 1981 pelo Professor Odoardo Linoli, catedrático da Anatomia e Histologia Patológica e Química e Microscópica Clínica., coadjuvado pelo Professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena.

Os resultados das análises, efetuadas de forma rigorosamente científica e documentadas por uma série de fotografias ao microscópio, são os seguintes:

A Carne é carne verdadeira. O Sangue é sangue verdadeiro.

A Carne e o Sangue pertencem à espécie humana.

A Carne é um CORAÇÃO completo na sua estrutura essencial.

A Carne contém, em seção, o miocárdio, o endocárdio, o nervo vago, e, no considerável espesor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo.

A Carne e o Sangue pertencem ao mesmo grupo sangüíneo: AB (mesmo grupo sangüíneo encontrado no Santo Sudário).

As proteínas observadas no Sangue encontram-se normalmente fracionadas em percentagem a respeito da situação seroproteínica do sangue vivo normal.

Encontram-se no sangue os seguintes elementos: Cloreto, Fósforo, Magnésio, Potássio, Sódio e Cálcio.

A preservação da Carne e do Sangue milagrosos, deixados ao estado natural durante doze séculos e expostos à ação de agentes físicos, atmosféricos, e biológicos constitue um Fenômeno Extraordinário.

Ao final, podemos dizer que a ciência chamada em causa, forneceu uma resposta certa e exauriente a respeito da autenticidade do Milagre Eucarístico de Lanciano.

Fonte: http://www.santotomas.com.br/?p=155

terça-feira, 21 de julho de 2009

Campos de outrora: denúncias e aliados na fé (Parte I)

Faz tempo que quero colocar esses dois vídeos, meu receio é que desapareçam do Youtube ou que o Youtube desapareça com eles! São videos esclarecedores, o antigo Padre Fernando Arêas Rifan nos diz muito sobre o novo Dom Fernando Arêas Rifan.




Padre Rifan católico e combatente!



Padre Rifan denunciador das heresias juntamente..com seus aliados da FSSPX.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Limbo: doutrina incontestável

Vejamos o que diz aqui o Santo Papa Pio X no seu Catecismo Maior*:

Que nos ensina o quinto artigo do Credo desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos?

O quinto artigo do Credo ensina-nos que a alma de Jesus Cristo, assim que se separou do corpo, foi ao Limbo, e que, ao terceiro dia, se uniu de novo ao corpo, para nunca mais dele se separar.

E isso quem diz não sou eu, é um Papa canonizado pela Igreja. Continuemos:

Que se entende aqui por inferno?

Por inferno entende-se aqui o Limbo, isto é, aquele lugar onde estavam as almas dos justos, esperando a redenção de Cristo.

Para certos liberais da internet e teólogos de meia-tigela, o limbo onde os Santos Patriarcas do Antigo Testamento estiveram, (limbus pratium) não existe mais, simplesmente porque os sequazes da "Nova Teologia" , formuladores das novidades introduzidas no Concílio Vaticano II, disseram que não, negando uma tradição de muitos séculos. Será que foi por isso que alteraram no Credo a palavra latina “ínferos” (infernos) para “Mansão dos mortos? Quem se submete a uma explicação confusa da "Nova Teologia" dizendo, entre outras ambiguidades, que "infernos" mudou de nome, é no mínimo suspeito de heresia. E os hereges é quem costumam mudar os "termos", para se negar mais ocultamente um dos dogmas fundamentais da Redenção de Cristo.

Dizem ainda estes teólogos de meia- tigela, que o limbo das crianças (limbus infantium) que morrem sem o batismo deixou de existir, por se tratar apenas da "opinião comum dos teólogos", e se esquecem que entre uns que defendiam essa “opinião comum” estava São Tomás de Aquino, e além de vários papas.

Ponho aqui dois artigos e uma resposta de carta que considero importante e de fonte credibilíssima.

Deus nos livre da praga modernista que infestou a Igreja.

Vá para o Limbo!


* Capítulo VI, Do quinto artigo do credo, pg. 58.

domingo, 19 de julho de 2009

Dawinks, um delirante.

Um dos principais ativistas ateus, que tomei conhecimento há pouco tempo de sua existência, se chama Richard Dawinks, desculpem se isso soar como novidade, de fato, para mim é.

Segundo me consta, Richard Dawinks, foi um dos colaboradores da famosa propaganda ateista nos ônibus londrinos, estampada com a brilhante frase: "Provavelmente Deus não existe..." E terceiro me consta, recentemente esteve aqui no Brasil para divulgar seu pretenso livro desmascarador do conceito de Deus. A mensagem de Richard Dawinks, que comentarei, se pode ver aqui. Só não sei se é o referido discurso que fez no Rio de Janeiro, não li tudo, apenas tive olhos para essa magnitude:

Somos todos ateus no que concerne à maioria dos deuses que a humanidade já acreditou. Alguns de nós só vão um deus além disso.

Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo

Bush e Bin Laden estão, na verdade, do mesmo lado: o lado da fé e violência, em oposição ao lado da razão e discussão. Ambos têm uma fé implacável de que estão certos e de que o outro é maligno. Ambos acreditam que, quando morrerem, ascenderão aos céus. Cada um crê que, quando matar o outro, seu caminho ao paraíso no outro mundo será muito mais rápido. O ilusório 'outro mundo' será bem-vindo a ambos. Este mundo seria um lugar muito melhor sem nenhum dos dois.

Richard Dawkins

Dawinks então crê que nós estamos numa espécie de ignorância invencível enquanto ao nosso ateísmo e que tendemos a evoluir em relação aos conceitos de Deus, conforme a história nos mostra e as sociedades determinam na nossa consciência. No entanto, não ficou muito claro o que quis dizer com "algum de nós só vão um deus", embora sei o quanto se esforça para eximir-se disso. Não descarto ser tanto um problema de tradução quanto um problema de definição de ateísmo de Dawinks, seja lá qual for tenha sido sua intenção, pensar um ateismo monoteista ou inconsciente de sua fé deveria ser absolutamente non-sense para qualquer ateu.

"Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo"

O que Dawkins provavelmente disse, é que: ele é contra a ilusória satisfação da religião, pois retira a nossa capacidade de compreensão do mundo. No entanto, para um ateu deveria ser irrelevante uma religião satisfazer os seus fieis pelo seu ensinamento, como se fosse apenas isso. Mas é claro que não é apenas isso ou Dawkins sinceramente acha que um fiel se submete a uma doutrina religiosa, única e exclusivamente por satisfação?

Se devo acatar que o príncipio de doutrina de toda religião é a satisfação, não é a mesma coisa que os ateus pretendem nos oferecer sem Deus? Dawinks é quem faria proselitismo sobre os "efeitos" da satisfação religiosa, e não eu incapaz de entender o mundo porque sou católico, já que a fé condicionada à razão, é que me faz entendê-lo. Se essa satisfação é algo subjetivo e relativo, não vejo o porquê tanta euforia dos ateus dar crédito a uma afirmação que o senso comum já sabe. Se foi como algo pleno, os cristãos acreditam que a satisfação plena é eterna, e ele não. Há motivos para se soltar fogos? Não preciso explicar mais nada.

Mais o que chamou-me atenção, foi a observação entre a intolerância de Bin Laden e Bush ao mesmo tempo que se deseja os dois fora desse mundo. E os intolerantes são os que seguem a "religião".

domingo, 12 de julho de 2009

Cruzada do Rosário





Eu denotaria esse video de "O chamado a conversão", não pelo apelo emotivo que certamente o video efetua e produz, mas a reta intenção, com certeza, sobressai-se sobre algumas das suas supostas imperfeições. No entanto, poderia ser também o titulo da postagem, porém preferi presevar este seu título original. O produtor (ou produtores) está de parabéns. Deus seja louvado, per omnia saecula saeculorum, amem.

Em tempo: A propósito, caro leitor, já rezou sua Cruzada do Rosário hoje?

sábado, 11 de julho de 2009

Carta aberta de Dom Fellay ao Cardeal Hoyos (de 2001)



Aqui vai uma carta-resposta antiga (de 8 anos atrás) de Sua Excelência Dom Fellay ao Cardeal Castrillion Hoyos: incompreensões de Roma!


"Eminentíssimo Senhor,

Com o olhar posto no Sagrado Coração, do qual celebramos a festa neste dia, segundo seus próprios desejos, imploro à Sua misericórdia que se digne marcar com Sua luz e Sua caridade as linhas que seguem. O jesuíta Mgr. Pierre Henrici, então secretário da Communio, dizia em uma conferência sobre a maturação do Concílio, que no Concílio Vaticano II duas tradições teológicas que essencialmente não podiam se compreender, haviam-se chocado. Sua carta de 7 de maio causou um sentimento semelhante de incompreensão e de decepção. Temos a impressão de que ela nos impõe um dilema: ou entramos na plena comunhão, e então devemos nos calar diante dos graves males que ferem a Igreja - por falta de jaula dourada, nos impõem uma mordaça - ou ficamos "de fora".

Esse dilema, nós o recusamos. Pois, por um lado, nunca abandonamos a Igreja, por outro, nossa situação atual, certamente desconfortável, não é o resultado de uma ação culpável nossa, mas a conseqüência de uma situação desastrosa dentro da Igreja contra a qual tentamos, mal ou bem, nos proteger. As diferentes decisões tomadas por D. Lefebvre foram ditadas pela vontade de não perder a fé católica e de sobreviver no meio de uma confusão universal que não popa Roma. Chamamos a isso "estado de necessidade".

Se queremos evitar o impasse ao qual conduz sua carta, seria preciso mudar profundamente as perspectivas, o status quaestionis. Com efeito, para sua Eminência,

1- Nós estamos em ruptura de comunhão.
2- As razões dadas para justificar nossos atos, entre outros as sagrações, seriam totalmente insuficientes. Pois a Igreja sendo santa e o magistério sempre assistido pelo Espírito Santo, as falhas que deploramos seriam inexistentes ou somente abusos limitados. Nosso problema viria de uma visão da história da Igreja e de suas crises muito limitada e rígida, que nos impede de captar a evolução homogênea e justificada de diversas adaptações ao mundo de hoje operadas pelo Concílio e pelo magistério subseqüente.
3- Roma é suficientemente generosa ao nos oferecer a estrutura que nos propôs. É abusivo pedir algo a mais, talvez mesmo ofensivo para com a Santa Sé, pelo fato de Roma ter tomado essa iniciativa. Não nos será dada nenhuma garantia preliminar, principalmente a Missa, que causaria perturbação na Igreja.

Do nosso lado, penso poder afirmar, seguindo os papas Pio XII e Paulo VI, que a Igreja encontra-se em situação literalmente apocalíptica. É irrecusável o fato de que a desordem na Hierarquia católica - o Cardeal Seper dizia: "a crise da Igreja é uma crise dos bispos" - as lacunas, os silêncios, as induções, as tolerâncias de erros e mesmo os atos positivos destruidores encontram-se até mesmo na Cúria e, infelizmente, no próprio Vigário de Cristo. São fatos públicos e constatáveis pelo comum dos mortais.

Afirmar a existência desses fatos não é contraditório com a fé na Santidade da Igreja nem na assistência do Espírito Santo. Mas tocamos aqui no mistério da Igreja, da conjunção e da coordenação do elemento divino e do elemento humano no Corpo Místico. Para ficar na verdade da realidade, é preciso ao mesmo tempo manter tanto as afirmações da fé quanto a constatação dos fatos. Na afirmação da infalibilidade do Soberano Pontífice, o Concílio Vaticano I estabeleceu explicitamente um limite à assistência do Espírito Santo: "O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que façam conhecer, sob sua revelação, uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência, eles guardem santamente e exponham fielmente a Revelação transmitida aos apóstolos, ou seja, o depósito da fé." Denzinger Hünermann, n. 3070. Aderimos, evidentemente, de todo coração, aos parágrafos seguintes de Pastor Aeternus assim como a Dei Filius. Mas é precisamente aqui que estamos no mais profundo do mistério atual. São justamente as novidades da nova teologia, condenadas pela Igreja sob Pio XII, que aparecem em Vaticano II. Como pode ser que todos os grandes nomes do Concílio, os experts teólogos, foram todos condenados por sanções sob Pio XII? De Lubac, Congar, Rahner, Courtney-Murray, Dom Beaudoin (morto pouco antes do Concílio). E indo um pouco além, Blondel, Teilhard de Chardin...Querem nos fazer crer, hoje, que essas novidades estariam em desenvolvimento homogêneo com o passado? Elas foram condenadas ao menos nos seus princípios. O próprio cardeal Ratzinger chama Gaudium et Spes de contra-Syllabus (Theologische Prinzpienlehre, p. 398, Erich Wewel Verlag, München, 1982). É preciso, portanto, necessariamente escolher. O fato dessas doutrinas serem, depois, sancionadas por um Concílio que não se considera dogmático, não é suficiente para justificá-las. O selo de um voto não transforma um erro em verdade infalível: dá fé disso a declaração de Mgr Felici no Concílio sobre a questão da infalibilidade deste. (Notificação de 16 de novembro de 1964, DH 4350-4351).

Além disso, o problema do Concílio não está, em primeiro lugar, na questão das interpretações individuais, ele vem, além disso, da sua falta de precisão nos termos, suas ambigüidades voluntárias (segundo um dos peritos do Concílio),e que permitem diversas interpretações.Vem, também, de certas interpretações dadas pela própria Santa Sé. Se seguirmos as indicações dela, vai-se parar em Assis, na Sinagoga, e nas florestas sagradas do Togo. "Vejam Assis à luz do Concílio" - João Paulo II, Audiência de 22 de agosto de 1986. (Como explicar, à luz da fé católica, esta frase chave da teologia de João Paulo II, que esclarece muitas passagens, de outro modo incompreensíveis, tais como "o caminho da Igreja é o homem", ou ainda Gaudium et Spes 22? : "No Espírito Santo, cada pessoa e cada povo tornaram-se, pela cruz e a ressurreição do Cristo, filhos de Deus, participantes da natureza divina e herdeiros da vida eterna." (João Paulo II, Mensagem aos povos da Ásia de 21 de fevereiro de 1981, DOC 1894, 15 de março de 1981, pag. 281). Um magistério que contradiz o ensinamento do passado, (por exemplo, o ecumenismo e Mortalium Animos), um magistério que se contradiz ele próprio, (veja-se a declaração conjunta sobre a Justificação e a nota que a precede, do Cardeal Cassidy, ou a condenação e o louvor do termo Igrejas Irmãs), aí está o problema lancinante.Esta crise magisterial cria um problema quase impossível de ser resolvido em termos práticos. Como discernir corretamente entre o que é verdadeiramente magistério e o que é apenas aparência dele? E o pesadelo estende-se da Cúria Romana aos bispos residenciais. Eis dois exemplos recentes, entre milhares.Quando Mgr. Tauran declara, nas Filipinas, em 4 de junho de 2001: "Seria errado considerar o fiel de outras religiões como alguém a ser convertido. Ele é antes uma pessoa que deve ser compreendida, deixando a Deus o papel de esclarecer sua consciência. As religiões não devem entrar em competição umas com as outras, mas devem, antes, ser como irmãos e irmãs que caminham lado a lado para construir canais de fraternidade, construindo um mundo bonito, no qual seja possível viver e trabalhar" - ele está sendo fiel à fé católica?

Quando o Cardeal Kasper declara em Nova York: "A antiga teoria da substituição não é mais seguida, depois de Vaticano II. Para nós, cristãos de hoje, a aliança com o povo judeu é uma herança viva... Não pode haver uma simples coexistência entre as duas alianças. Os judeus e os cristãos, por suas diferenças específicas respectivas, são intimamente ligados uns aos outros. A Igreja crê que o judaísmo, ou seja, a resposta fiel do povo judeu à aliança irrevocável de Deus, é salvífico para eles, pois Deus é fiel a suas promessas" , ele está exprimindo a fé católica, é fiel a São João, a São Paulo, a Nosso Senhor mesmo? Ora, esses dois prelados são um, íntimo colaborador do Papa, o outro, príncipe da Igreja, recentemente elevado à púrpura cardinalícia, eleitor do futuro Vigário de Cristo. É impossível estar em comunhão com eles. Eles não têm mais a fé.

Poderíamos citar dezenas e dezenas de declarações episcopais de mesmo teor. O que fazer quando os guardiões da fé fraquejam? Segui-los cegamente? Não merecem eles os qualificativos que Santa Catarina de Sena atribuía a certos príncipes da Igreja da época? Declarar isso não nos atrairá a simpatia da Santa Sé. Mas nós temos preocupações bem mais graves. Milhares e milhões de fiéis católicos que abandonam a fé e se danam por causa dos erros de Roma, eis nossa preocupação. "Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est, ut teneat catholicam fidem: nisi quisque integram inviolatamque servaverit, absque dubio in aeternum peribit. - Quem quer se salvar, antes de tudo, deve guardar a fé católica: se alguém não a conservar íntegra e inviolável, sem dúvida se condenará para sempre" (Símbolo de Santo Atanásio, DH 75)É preciso distinguir entre Roma e Roma. É isso que tentamos fazer.

As palavras de Pio XII, quando ainda era Secretário de Estado de Pio XI, ressoam em nossos ouvidos: "Suponha, caro amigo, que o comunismo seja apenas o órgão mais visível da subversão contra a Igreja e contra a tradição da Revelação divina, então vamos assistir à invasão de tudo o que é espiritual, a filosofia, a ciência, o direito, o ensino, as artes, a imprensa,a literatura, o teatro e a religião. Sou obcecado pela mensagem da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, na sua liturgia, sua teologia, sua alma....Ouço à minha volta inovadores que querem desmantelar a Capela Sagrada,destruir a chama universal da Igreja, rejeitar seus ornamentos, dar-lhe o remorso do seu passado histórico. Pois bem, caro amigo, tenho a convicção de que a Igreja de Pedro deve assumir seu passado ou ela cavará sua própria cova....Virá um dia em que o mundo civilizado renegará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a crer que o homem tornou-se Deus, que seu Filho é apenas um símbolo, uma filosofia como tantas outras, e nas igrejas os cristãos procurarão em vão a lâmpada vermelha onde Deus os espera" (Mgr. Roche e P. Saint Germain - Pie XII devant l'histoire, pp. 52-53)

A seu amigo Jean Guitton, Paulo VI dizia, no essencial, que existe na Igreja um pensamento de tipo não católico. Pode acontecer que ele prevaleça, mas nunca será a Igreja católica (Jean Guitton, Paulo VI secreto).Diante dessa catástrofe como devem reagir os fiéis? É-lhes permitido reagir? Nós seguimos, simplesmente, o conselho de São Vicente de Lérins no seu Commonitorium (nº3): "O que fará o cristão católico se uma parcela da Igreja vier a se separar da comunhão da fé universal? Qual outro partido tomar senão o de preferir o corpo são no seu conjunto, ao membro corrompido pela gangrena? E se um novo contágio tentar envenenar não apenas uma pequena parte da Igreja, mas toda ela de uma vez? Ainda assim sua principal preocupação será de se ligar à antiguidade que, evidentemente, não pode mais ser seduzida por alguma novidade enganadora."Eis um status quaestionis de onde seria preciso partir na tentativa de se encontrar uma solução. Nós somos apenas um sinal de marcação da terrível tragédia que a Igreja atravessa, talvez a mais terrível de todas até aqui, onde não apenas um dogma, mas todos são atacados, de dentro das próprias universidades pontifícias até os bancos das escolas maternais. O problema litúrgico é um pouco semelhante. Aliás, os fiéis são forçados a procurar eles mesmos uma liturgia conveniente. Eles não podem mais ir simplesmente à sua paróquia. É um fato que não se limita aos tradicionalistas. Daí decorre uma grande transformação no mundo católico, em todos o caso, no antigo mundo católico: a desagregação da vida paroquial, o crescimento de movimentos eclesiais são devidos, em grande parte, ao fato de que os fiéis não encontram mais o alimento do qual necessitam para viver da fé e da graça em suas paróquias. A nova liturgia não é inocente neste fenômeno. Não podemos ignorar esse enorme problema. De todo coração, de toda nossa alma, queremos trabalhar na restauração da Igreja, mas não podemos agir como se tudo fosse bem ou como se não se tratasse senão de questão de detalhes. Estamos prontos a prestar contas de nossa fé a Roma, mas não podemos chamar de bem o que é mal, de mal o que é bem.

Digne-se, Eminência, desculpar a extensão desta carta, suas generalidades e algumas afirmações que precisariam ser bem mais desenvolvidas. Estamos inteiramente dispostos a continuar este trabalho, se Roma assim o quiser...Queremos continuar católicos, queremos conservar toda nossa fé sem nada abandonar, eis a causa de nosso combate, de nossas penas, das oposições que sofremos. Estamos persuadidos de que não causamos mal à Igreja ao agir assim, mesmo se as aparências são contra nós.

Queira aceitar, Eminência, a expressão de meus sentimentos devotados e religiosos in Cordibus Jesu et Mariae".

22 de junho de 2001


Fonte: http://www.beneditinos.org.br/atualidades/documentos/cartadbernardfellay.htm

sábado, 4 de julho de 2009

Padre Fábio de Melo e as (lamentáveis) cartas entre amigos


Lamentável, só o que tenho a dizer acerca deste sacerdote. Francamente, não tenho me empenhado em publicar as múltiplas "façanhas" do Padre Fábio de Melo, já apresentadas na televisão e na internet e em outros sítios da tradição, mais creio que essa postagem servirá de grande valia para as ovelhas desatentas e de bom senso critico. Padre Fábio, infelizmente, de uma maneira ambígua e implícita, convoca os católicos a rejeitarem os dogmas da materialidade da Resurreição e a Presença Real da Eucaristia, do jeito do "espírito do Concílio", por meio de um livreco. O que dizer mais? Abaixo o texto que foi publicado no blogue "O ultrapapista Atanasiano".

Trecho do livro "Carta entre amigos", 2ª carta, p. 15 em diante.

segunda carta...

"(...) Por isso não tenho receio de afirmar que o específico das religiões não consiste em responder às perguntas, mas em nos ensinar a conviver com elas. Na tentativa de resolver os conflitos que nos afligem, corremos o risco de atentar contra a sacralidade dos fatos.

Dessa forma, deixamos de plantar as flores e insistimos em chorar sobre as pedras. Diante do sobrado demolido, Cora Coralina resolveu escrever o poema, pois sabia que as palavras poderiam resguardar o significado de tudo o que as pedras insistiam em sepultar.

Gosto de compreender a ressurreição de Jesus da mesma forma. Diante da ausência sentida, a saudade fez o apóstolo intuir e proclamar: “Ele está no meio de nós!”. O grito nasce do reconhecimento da transformação acontecida. Eles não eram mais os mesmos. O sobrado crístico já estava erigido na alma de cada um. João, o homem que era chamado “filho do trovão”, o homem de temperamento difícil, revestia- se de docilidade. Pedro, o homem que mal sabia falar, o homem que foi frágil até o momento da morte do melhor amigo, estava mergulhado numa coragem invejável. Eles se olhavam e percebiam que Ele não havia ido embora, mas apenas modificara a forma de ficar.

Isso retira a necessidade que temos da materialidade da ressurreição. Não importa que haja um corpo encontrado ou um corpo desaparecido. O que a ressurreição nos sugere é muito mais que um corpo material. O mais importante, e o que verdadeiramente pode mover o cristianismo no tempo, não está na prova material da ressurreição, mesmo porque não a temos. O que possuímos, e isso ninguém pode contestar, é o fato de que os discípulos nunca mais foram os mesmos depois da vida, morte e ressurreição de Jesus. A declaração cristã “Ele está no meio de nós!” nos assegura a continuidade do plantio das flores. Onde existir um ser humano comprometido com as palavras e a proposta de Jesus, lá Ele estará presente. Isso não é lindo, meu amigo?

Teilhard de Chardin, teólogo jesuíta, chamava isso de “cristificação do universo”. Esta mística nos permite uma aproximação ainda mais interessante da eucaristia, acontecimento ritual que nós, católicos, chamamos de “presença real de Cristo”. O que é a presença real? A matéria consagrada? O pão e o vinho somente? Não. Juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência. A comunidade que celebra, enquanto celebra, prepara a chegada do que vai voltar. A volta de Jesus não é apenas um acontecimento escatológico, reservado ao final dos tempos, mas induz a comunidade a um comprometimento histórico com as dores do mundo.

Jürgen Moltmann, grande teólogo alemão contemporâneo, aprofunda de maneira muito preciosa o conceito de esperança. Segundo ele, a esperança cristã é sempre operante, porque nos mobiliza a atualizar no tempo a presença do esperado.

Com isso, podemos saborear a espera. Ao socorrer os necessitados, podemos antecipar a volta de Jesus. Ao consolar o coração de uma mulher que perdeu um filho, e com ela sendo solidários, podemos dar início ao processo de sua cura.

Isso também é celebrar o mistério eucarístico. É deitar a toalha branca sobre o altar do coração humano, reconhecendo nele a dor que precisa ser redimida, e elevá-lo, em prece, aos céus. É a ausência humana sendo curada através da presença comprometida, movida por uma esperança operante, que encontra motivos para continuar na celebração sacramental que nasceu da ausência sentida.

O motivo da última ceia foi a preparação da ausência. Foi a oportunidade que Jesus teve de sacramentar em seus discípulos a coragem da continuidade. Nada mais bonito que preparar a ausência com um jantar entre amigos. O prato principal não era material. Do que eles precisavam era aprender a mística do alimento. Nós nos transformamos no que comemos. O que Jesus propunha não era um ritual de antropofagia. Comer e beber juntos significa estarmos comprometidos. O banquete não é lugar para saciar somente a fome do corpo, mas também a fome da alma. Ao estar com os que amo para me alimentar, de alguma forma eu os trago para dentro de mim.

Ao interpretar a transcendência do amor interpessoal, o filósofo Gabriel Marcel intuiu que amar consiste em olhar o amado nos olhos e dizer: “Tu não morrerás jamais!”. Ele pode ter aprendido isso ao contemplar a última ceia. Cora Coralina disse a mesma coisa, mas com palavras diferentes, que você citou em sua carta: “Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico, na música de seus versos”.

O amor nos socorre do esquecimento. Retira o poder definitivo da lápide, porque sobrevive na continuidade do que plantamos. Por isso a ausência é lugar de encontro. Basta exercer a força da visão poética, a via que costuma salvar o mundo de seus desesperos e ruínas.

Uma bonita expressão atribuída a São João da Cruz, o grande místico cristão, nos diz que “o que podemos conhecer de Deus são as pegadas de sua ausência”, uma frase que desconcerta os religiosos ávidos por sinais concretos. O que temos de Deus são vestígios. Por isso é tão importante não perder o desejo de procurar. Encontrar respostas é satisfação temporária. O bom mesmo é a investigação que nos mobiliza. As teologias nascem dessas ausências. É a partir delas que as teologias postulam as suas verdades, porque a ausência é uma categoria cheia de sugestões.

Volto à eucaristia. O que celebramos e o que vemos é muito pouco perto de tudo o que verdadeiramente significa o rito. Não podemos materializar a eucaristia, retirando-a da totalidade de sua abrangência. Digo isso, meu amigo, porque reconheço suas dores como eucarísticas. Assim como foi também a dor de Hannah Arendt, de Cora Coralina e de tantos homens e mulheres que semearam o mundo de flores e sentido.

Da mesma forma que não posso reduzir a eucaristia a um detalhe de sua totalidade, também não quero reduzir sua carta a uma simples resposta.

Permita-me dizer que suas perguntas, nascidas de suas ausências, saudades e indignações, em vez de me provocarem o desejo de lhe responder, fomentaram em mim muito mais silêncios que palavras. O pouco que escrevo é apenas um modo que tenho de dividir o que creio sobre tantas coisas, e que por ventura entra no contexto de suas falas. Talvez eu não tenha respondido absolutamente nada. Não importa. O mais bonito de tudo isso é saber que suas palavras me fizeram pensar nos sobrados que já reconstruí dentro de mim. Ausências às quais aprendi a atribuir sentido. Sofrimentos que antes eram capazes de me sepultar e que agora me sugerem experiência de plantio de flores.

O mais importante é que no sacramental desta carta pude recebê-lo em minha casa e a seu lado deitar a toalha branca sobre o altar dos nossos significados, para juntos repetirmos no tempo o que nele não cabe. A matéria que celebramos? Ainda não sei. Vou seguir o conselho do poeta.

Vou conviver com ela e saborear o seu poder de silêncio, antes de encontrar as palavras que possam dizê-la ao mundo.

Obrigado pela eucaristia que sua carta me permitiu celebrar. Confesso que, ao terminar a leitura, tive o ímpeto de repetir uma expressão ritual, aquela que assegura a sacralidade da palavra proferida: “Palavra da Salvação!”. No íntimo de meu coração, rezei dizendo: “Glória a Vós, Senhor!”.

Permaneçamos unidos. Nesta mística, neste tempo, neste mesmo sobrado que os sábios chamam de amizade e que nos ajuda a enfrentar os medos que sentimos.

Com minha bênção, Pe. Fábio".


Atualização e modificação do dia 02 de agosto de 2009.

O artigo "sumido" de Dom Willianson

E eu pensei que já era..não, estava quadradamente enganado. O artigo de Dom Willianson, ainda prevalece..só que no sitio da Capela ( ligado estreitamente com a Permanência de Dom Lourenço Fleichman, isso explica minha "junção lógica" de ambos os sítios). Ver aqui.

Sobre o artigo, cometi um equívoco no segundo parágrafo de "Formas de amor". Foi uma confusão de memória em dizer que Dom Willianson se referia também as pessoas que estão "fora da Igreja" no caso da pedofilia do clero americano. Desculpem, errei de novo! Portanto, já apaguei essa afirmação na postagem, lá os caros leitores irão encontrar a continuação dizendo: "Mas por quê estou..." que não altera em nada a ideía central do texto.