terça-feira, 25 de maio de 2010

O discurso importantissímo de Dom Pestana

O discurso/palestra do Bispo Emérito de Anapólis publicado pelo site The Fatima Challenge Conference e transmitido pelo Frates in Unum, deixou-me tremendamente estupefato. Não tanto pelo que ele disse, mas sim pela sua coragem em abordar um assunto tão polêmico e grave em Roma. É claro que, a partir disso, poderá surgir especulações das mais diversas entre os tradicionalistas e os conciliares de todas as correntes na internet. O único ponto discordante e até contraditório à indagação e ao raciocínio do bispo, é o cuidado de Sua Excelência de não negar que o Concílio Vaticano II teria sido uma benção para Igreja. Não Excelência, com certeza, se Nossa Senhora falou claramente aos três pastorinhos deste Concílio, no contexto do Terceiro Segredo, não foi para falar de sua suposta “bênção”.

Dom Pestana sutilmente desmistificou muita coisa dos bastidores do Vaticano II, de sua gênese e história. Isso é ótimo! Com algumas poucas exceções, nada que eu já não tinha sabido antes e que,
outros colegas blogueiros também não tinha lido e ouvido. Mas o que saiu da boca de Dom Pestana pode acordar muita gente, e isso é que é importante destacar e ressaltar. Dom Pestana, que eu saiba, não é um extremista, integrista, fatimista, tradicionalista. Pelo contrário, é um bispo que crê ainda na benção do Concílio.

Outra coisa, e esse é o ponto chave, na minha opinião, foi a maneira como ele compreendeu que havia algo de errado no reino da fantasia conciliar, quando fez a tal pergunta por escrito à “Irmã Lúcia”. A resposta, naturalmente, foi:
“não estou autorizada a responder esta pergunta”. E qual resposta é pior do que aquela que traz mais confusão do que esclarecimentos? Dom Pestana certamente pensou mais ou menos assim: “ahh, aí tem”! Quer dizer, há uma probabilidade enorme, gigantesca, de o Terceiro Segredo de Fátima estar relacionado com o Concílio.

Certo,
vamos ligar isso à minha teoria insana: Será que a “Irmã Lúcia” sabia de alguma coisa? Em primeiro lugar, esse tipo de resposta, independentemente de eu acreditar em duendes, não é de nada extraordinário. Em segundo lugar, sim, há uma probabilidade da “irmã Lúcia” saber disso. E porque não? A diferença do meu raciocínio para de Dom Pestana é que eu penso que ela estava muito bem informada do plano que iria executar. E para alguém executar um plano conspiratório e secreto, perfeito, tem que saber o essencial. Um agente secreto tem que saber porque ele é de fato um agente secreto, tem que ter todas as informações necessárias para agir. Um agente secreto corre o risco de morte se revelar qualquer informação importante que lhe for confiada.

E aqui estou falando de realidade. Ou agentes secretos nunca existiram? E não estou afirmando
que ela era um agente secreto.

Conclusão, essa resposta, a priori, não diz absolutamente nada, não esclarece se isso foi um sim ou um não. Nem mesmo para quem acredita que ela era a verdadeira vidente de Fátima. Se a “irmã Lúcia” sabia de alguma coisa, é porque alguém foi capaz de contá-la, certamente. E isso, é óbvio, se a resposta foi dada já pela "Irmã Lúcia" e não pela Irmã Lúcia, durante a última sessão do Concílio (quarta sessão), ou seja, no decorrer do final do ano de 1965, conforme relata Padre Ralph, no seu famoso livro O Reno se lança no Tibre. Mas será mesmo que o manuscrito com a pergunta chegou até ela ou "ela"? Há também a possibilidade de Dom Pestana ter sido respondido por outra pessoa. Quem? Não sei.

"Ah, tá! E se a resposta foi dada pela Irmã Lúcia e não pela "irmã Lúcia", hein Sr. bonzão"? Bem, isso ainda não refutaria ainda o argumento de que a resposta não diz nada, mesmo porque haveria razões para que a Irmã Lúcia desse esse tipo de resposta. Exemplos? Dou apenas um: o silêncio obsequioso ao qual foi forçadamente submetida durante o Concílio. E tenho certeza que foi o que Dom Pestana mais ou menos pensou. Por isso: aí tem! E vejam, disse durante para responder objetivamente a pergunta imaginária, mas isso não quer dizer que já antes do Concílio, ela não tinha sido silenciada. É uma possibilidade que não deve ser descartada. Tá vendo? É, aliás, uma posição que está de acordo com o que pensam pessoas estudiosas no assunto como por exemplo, com certa parcialidade, o Padre Kramer.


Para fechar essa reflexão,
acho mesmo que outras “revelações” dessas virão por aí. O discurso teve vários aspectos e pontos que me chamaram atenção. Penso que o primeiro seria: “por que Dom Pestana”?