sexta-feira, 18 de junho de 2010

E os deuses?

Revisitando posts do passado, encontrei um hilário! É este aqui, que é uma continuação desse aqui. Foi o seguinte, quando este blogue tinha os comentários liberados, um anônimo postou dois: um respondendo ao que publiquei e o outro uma tréplica à minha réplica.

O anônimo de linguajar lusitano, (ou um anônimo português de facto) parecia ser contra a "minha explicação" de que é mais correto dizer que somos filhos adotivos de Deus. Ora, ele que vá se entender com o Catecismo de São Pio X, pois esse ensinamento foi tirado de lá.

Se ele concordara com o essencial da estórinha, isto é, o dogma da Santíssima Trindade, então refutar... para quê? Só por pura vaidade então.

Entendo que muita gente usa esse recurso do anonimato dos blogues para esconder-se de seus próprios comentários esquisitos, depois, ninguém quererá saber quem foi mesmo.

Enquanto as citações bíblicas, elas realmente existem. O anônimo, neste aspecto, tinha razão, só esqueceu de pôr o capítulo da passagem de João. A passagem que deveria ser evocada por ele era essa: João 10, 34-36. O salmo, no qual Cristo faz referência com essa mesma passagem, é: Salmo 81, 6. E não o Salmo 82, 6.

Sobre o sentido de “deuses”, obviamente, evidentemente, Cristo não cometeria imenso despautério contra Si mesmo. Depois, “deuses” está no sentido de atribuir submissão do povo aos legítimos representantes de Deus na terra, seja uma autoridade de Estado, por exemplo, um Rei ou um Juiz, ou seja um representante eclesiástico, exemplo: o Papa e os bispos.

Quem ama e obedece ao Papa, lhe é atribuído o nome de Papista, quem é ligado à tradição, é tradicionalista, pois então, foi mais ou menos por aí que Cristo quis justificar seu ensinamento perante os fariseus.

Para quem se interessar, e principalmente entender a situação, aqui está a “trajetória completa” do diálogo entre eu e o sujeito (com umas duas leves explicações e correções em vermelho ao que eu queria realmente dizer):

Anônimo disse:

Com licença, também posso pegar no giz e mostrar-te outra equação?

Cada um de nós é uma pessoa diferente. Mas todos somos iguais na mesma Natureza. Porque todos somos filhos de Deus.

Assim a Humanidade inteira =1.

Agora é que tu e o teu professor iam ficar de boca aberta.

Rick disse:

Anônimo,

"Cada um de nós é uma pessoa diferente. Mas todos somos iguais na mesma Natureza. Porque todos somos filhos de Deus."

Sua equação parece dizer, em outras palavras, mas com o mesmo sentido: "O rapaz atirou na moça, a moça morreu, logo ela foi pro céu e ele irá para o inferno." (ou seja, foi uma definição simples, mas não satisfatória como resposta-refutação à minha explicação que não é minha, e sim da Igreja).

O sentido, com que eu quis tratar nesta postagem, é simples e direto. Mostrar que não pode haver contradição mesmo no conceito simbólico dos números em relação à Deus e não explicar como se dá a visão universal (na verdade, queria dizer: visão beatífica de Deus) de Deus. Não temos capacidade racional para compreender isso. Eu disse: é um mistério.

Foi para explicar como que através da matemática aplicada aos nossos sentidos por meio do intelecto podemos ter a certeza de que não existe uma contradição em Deus, pois se você mesmo constatou que: "Cada um de nós é uma pessoa diferente. Mas todos somos iguais na mesma Natureza", porque não entender por este mesmo príncipio lógico matemático a questão da Santissíma Trindade?

Não somos filhos de Deus, senão seriamos deuses. O correto a dizer é que somos filhos adotivos de Deus enquanto batizados sacramentalmente na Igreja Católica. A humanidade é uma, sim é, mas nem todos incluidos na humanidade são filhos adotivos de Deus, não é verdade? Você parece ser um bom entendedor. Espero que meias palavras para bons entendedores realmente sejam suficiente para fazê-los melhores.

Para que ficar de boca aberta, quando se pode ficar de mente e coração abertos?

Anônimo disse:

"Não somos filhos de Deus, senão seriamos deuses"

Se não formos filhos de Deus e se não podermos ascender ao estatuto de Deuses,então do Cristianismo não captaste o essencial.

Já em Salmos,82-6,está escrito:

"Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós"

E não foi também Cristo Quem afirmou:

"Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses?

Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?"

(João;34-36)

Por isso,enunciares que "somos filhos adotivos de Deus" é uma enorme heresia.

E fazer depender o estatuto de filhos de Deus ao baptismo outra como tal.

Já te perguntaste se todos quantos nasceram e viveram antes do Novo Testamento e de Cristo,deixaram alguma vez de ser filhos de Deus ?

Se Deus é concebível do modo que Tu O concebes ?

Não é.

O dogma da Santíssima Trindade está certo.

Mas,na matemática como na teologia,não há só uma maneira de fazer contas.

Assim,

A fórmula Humanidade = 1 também está certa.