segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O meu candidato? Ninguém!!


O que li no excelente blogue ContraImpugnantes me fez mudar de idéia: achava que votar no Serra seria o "mal menor". Que mal-menor há em um partido que também não só apoia o aborto e o gayzismo como ajudou a implementar o PNDH 2 (irmão mais velho do PNDH 3)? Qual a grande diferença  do PSDB em relação ao PT?  Estou plenamente convencido em quem irei votar no segundo turno, o meu candidato se chama NINGUÉM!

Que Deus nos dê mais sábios católicos!

sábado, 23 de outubro de 2010

O saudosismo de Marx

Quando uma colega de sala da faculdade questionou se o que Marx idealizou nos seus textos, em vez de uma eloquente denúncia aos erros do capitalismo ou a um alerta aos trabalhadores alienados, ao contrário, expressaria um pensamento, opinião ou quem sabe um sentimento saudosista, pensei comigo: “É, isso tem um certo fundamento! Todavia da sua boca não soasse estas exatas palavras, isso foi o que deduzi pelo tom de sua pergunta ao olhar atencioso da mestra. Realmente -pensei mais uma vez -, Marx e os marxistas têm essa mania de nos deixar confusos, ah tem. Já nos bastasse estarmos imbuídos ainda ( tadinhos de nós!) de uma visão conservadora, tradicional, burguesa, cercando-nos por todos os lados, manifestada aqui e ali através dos nossos pitacos leigos de alunos, e aprisionados num mundo ultracapitalista, ainda vem a colega com um questionamento desses e bingo! Eis que surge a confusão mental de muitos! Será? Assim imagino e assim quero imaginar! Ela queria ter uma resposta, e eu acho que consigo descrevê-la. Obviamente, se a teacher respondeu alguma coisa, não prestei–lhe a atenção devida , pois já nesse momento, suscitava em mim um transe combinado à uma idéia maravilhosa de escrever um artigo. Ei-lo.

Para início do dilema e em busca da resposta, pergunto: Mas afinal, como Karl Marx, logo ele tão racional, frio e quase totalmente calculista, defenderia uma teoria filosoficamente econômica e materialista que não passaria de um assombroso saudosismo? Será porque Marx pretendeu passar a idéia de que um mundo socialisticamente perfeito é possível? A aniquilação do capitalismo ou do Estado burguês pode vir ser uma realidade? Nenhum marxista sério e sensato ousa discordar dessas “possibilidades”, mas também não conseguem ter um fundamento histórico -dialético-materialista (ou confirmação teórica) de que como, quando, onde o socialismo real possa acontecer. Certos marxistas acadêmicos justificam a tese de que as outras formas de socialismos implantadas ao redor do mundo (como na Rússia, Cuba, China e etc) não foram um socialismo real.Sim, mas mudemos a linguagem e expliquemos de outro jeito, que tal dizer que foram tentativas frustradas de implantação de um regime impossível de se aplicar na realidade?Infelizmente, eles ainda não conseguiram distinguir o que é real e o que não é.

Qual é o problema teórico? É que Marx, embora conseguiu relacionar sua tese de luta de classes aos fatos históricos, não conseguiu, porém, acertar em suas previsões acerca dos meios reais para a instalação do comunismo no mundo. Então, seus seguidores tem que se contentar com mil interpretações acerca da ditadura do proletariado, mil especulações acerca de uma sociedade, (ah enfim..), puramente comunista. Embora não admitam ou simplesmente não queiram arriscar perder seus cômodos empregos mediante ao crivo fenomenal do tribunal acadêmico, provar a possibilidade concreta de uma sociedade comunista é algo como se quissesse provar a existência de duendes e fadas.

Qual foi a preocupação essencial de Marx a redigir textos com caracteres expressos de ódio contra a classe dominante? Ao que parece Marx creu sinceramente na sua capacidade de criar uma fé ou moral invertida, baseada na sua tese dialética. E isso é que confunde os “iniciados” (não falo de mim), mesmo aquelas pessoas com resquícios conservadores profundamente arraigados (agora sim, me incluo!)

Vejam, ele poderia ser extremamente radical e revolucionário se ele quisesse, mas não foi. Contraditoriamente, Marx e os seus “filhos espirituais” – os marxistas - sempre se vestiram,  isto é, usaram roupas..e roupas são coisas de burguês. Como alguém declarado antimoral  e antiburguesia pode usar roupas? Será que Marx acreditava no pecado original? Será que ainda acreditava na ideologia burguesa?
Roupas não tem a função apenas de cobrir corpos nus, de proteger os seres humanos do frio ou do calor, há uma evidente doutrina de fé e moral por trás disso. Ele bem que poderia estar preparado contra essas contradições se precavendo ao ler o livro do Gênesis na Bíblia, precisava somente ler a parte em que Adão e Eva descobriram que estavam nus quando pecaram. Por que ele não fez isso?

O principal defensor do proletariado do momento tinha o estranho costume de estar envolto em panos e tecidos que provavelmente foram frutos da exploração capitalista e da mais-valia roubada da classe proletária. É claro, percebam que não questiono isso como incentivo ao naturalismo e nem desconsiderando a questão das leis morais ainda legitimadas pelo Estado daquela época que vigoram ainda hoje. Por exemplo, a questão se torna fundamental quando se apresenta o fato em contraposição aos marxistas de que Marx não teve a coragem de romper com todas as influências morais ou religiosas do seu tempo. Por que? Porque não pegou em armas e não foi guerrear. Não teve a coragem suficiente de tornar-se  talvez um verdadeiro mártir em defesa do comunismo mesmo vestindo-se (ou disfarçando-se) como um burguês.  Fundamental porque tem a ver com aquilo que contraditoriamente os marxistas amam ao mesmo tempo que o desprezam: o conceito de uma teoria absoluta.

Essa busca pelo absoluto, que é também uma busca particular de cada marxista, logo contagia o senso de coletividade que existe entre eles. Este anseio  pelo absoluto sob o pretexto de crítica ou debate,  é nada mais do que fixar sua visão preconceituosa e hipócrita de que é somente o conservador que é conservador,  só ele defende teorias absolutas, o marxista não. Mas todo  o marxista  que se preza conserva o marxismo absolutamente, não é assim?

Eles acreditam que não há “teorias absolutas” que não sejam “teorias burguesas”, o que faz soar como saudosismo para certas pessoas que desvelam - intencionalmente ou não - o absolutismo marxista, tornando-o evidente apenas para quem não é marxista ou ainda tem sérias dúvidas sobre sua convicção teórica ou ideológica.

Para quem ainda possa ter alguma dúvida do que tento arguir, eu apenas recomendo dar uma verificada na história, coisa que os marxistas dizem seguir ferreamente, aconselhando os seus aprendizes ou seguidores a fazerem o mesmo. Entretanto, há um terrivel engano quem pensa que eles seguem a história.  Não, eles não a seguem, seguem sim o absolutismo que criaram para a história, pois a história, e eles próprios confirmam, não é estática ou imutável. Aí volto para aquele ponto: com que/qual fundamento histórico se sustenta a teoria marxista da sociedade comunista? Bem, Marx diz que em todas as sociedades que já existiram sempre houvera lutas de classes, até mesmo as  tais sociedades primitvas.  Logo,  a teoria marxista acerca de uma sociedade comunista, e portanto sem luta de classes, não tem fundamento na história, é Marx quem o diz.   E não adianta os idéologos acadêmicos  recorrerem aos diversos intérpretes de Marx,  como à Engels, ou  simplesmente citar a teoria darwinista de “comunidade primitiva” para tentarem mostrar que é possível uma sociedade sem classes (que nesse caso particularmente “histórico” se torna uma inversão teórica da seleção natural das espécies).  Ora, quão é o desejo pelo absoluto expresso por Marx de uma sociedade igualitária que nunca aconteceu, não me admira que seja chamado de saudosista, embora isso tenha  outro nome que lhe cai melhor. 

Em resumo, o absolutismo marxista é o relativismo e o subjetivismo que eles vêem na doutrina cristã, mas que não querem enxergar no marxismo pelas consequências desastrosas que podem trazer ás suas próprias consciências e conveniências. É o prazer de viver confortavelmente sob o domínio doutrinário do saudosismo dialético marxista.