terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre juízos e juízes Parte II



Muito se tem dito sobre a última (última??) polêmica envolvendo o Papa Bento XVI na qual, por meio de uma entrevista publicada em um livro,  justifica o uso de preservativos "a priori" por prostitutos ou prostitutas, e diga-se, "bem intencionados moralmente". Sinceridade,  nem quero mais falar um pingo de acréscimo sobre isso, pois muito já se foi dito mesmo. Porém, não usarei o espaço do blogue para fazer apelos dramáticos como: "olhem para mim, não acredito mais em nada!!" Bento XVI tirou a minha fé!

Dramas à parte, mas não totalmente, pude perceber o quão grave é o que o Santo Padre tenta justificar. É na verdade,  catolicamente injustificável, o que afirma ao entrevistador, mesmo se tratando de uma mera opinião. É obvio que a questão ultrapassa a canalhice exagerada da imprensa ou  a "malhação do judas antecipada" por parte dos "tradicionalistas" ou a dramaticidade digna de vários oscars de muitos por aí.

É muito importante que se diga, em matéria de consciência, e sei que vi isso em algum site católico, São Tomás de Aquino nos diz que nem a Igreja (a Igreja Militante) pode nos julgar.  Certos católicos parecem não saber que nem todos os monstros tradicionalistas estão  preocupados em julgar a consciência de ninguém. Se alguns católicos podem dizer besteiras online do tipo que "o Papa expôs somente fatos sobre a camisinha sem dizer sim ou não acerca do seu uso" porque não podemos  nós, os radtrads,  fundamentarmos  nossa lógica somente em fatos, ou seja, no que o Papa mesmo disse? E depois, ainda existem aqueles que nos acusam de julgar consciências.

Quando um católico anta diz que não podemos julgar o Papa pelas suas declarações heterodoxas, ou o coitado está mesmo delirando ou está se aprofundando no vazio da sua ignorância. Esse pobre católico está entendendo que julgamos consciências, como se tivessemos poderes sobrenaturais para tal desígnio. Não, cara anta, você é que não tem a mais remota consciência do que seja julgar consciências.

Por favor, sejam sensatos, questionem a si mesmos: será que nos tornamos juízes voluntários de uma hora para outra quando julgamos nossos irmãos radtrads? Dentro dessa lógica, vocês é que devem fazer esse tipo de pergunta para si, uma vez que não compartilhamos de suas "crenças".

Sobre a polêmica, sugiro que leiam: 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Adiar a Condenação? (por Dom Williamson)


Após uma recente sequência de “Comentários Eleison” enfatizando a importância da doutrina (EC 162, 165-167, 169), um leitor pergunta se não seria, contudo, mais prudente adiar a condenação do Vaticano II, já que nem os altos clérigos de Roma nem os católicos em geral estão dispostos a aceitar que o Concílio é doutrinalmente tão ruim quanto diz a Fraternidade de São Pio X, assim como dizia Dom Lefebvre. Na verdade, o Concílio é muito pior.

O problema doutrinal com os documentos do Vaticano II não é, primordialmente, por eles serem aberta e claramente heréticos. Na verdade, sua “letra”, contrária a seu “espírito”, pode parecer católica, ao ponto de Dom Lefebvre, que participou diretamente de todas as quatro sessões do Concílio, ter assinado todos os documentos, exceto os dois últimos e os piores, “Gaudium et Spes” e “Dignitatis Humanae”. No entanto, essa “letra” é sutilmente contaminada pelo “espírito” da nova religião, centrada no homem, para a qual os Padres do Concílio estavam inclinados, e que tem corrompido a Igreja desde então. Se Dom Lefebvre pudesse votar hoje novamente nos 16 documentos, perguntar-se-ia se, sabendo o que iria acontecer, ele teria aprovado um único deles.

Assim, os documentos são ambíguos, a maior parte aparentemente pode ser interpretada como sendo católica, mas, interiormente, estão envenenados com o modernismo, a mais perniciosa de todas as heresias da Igreja, como disse São Pio X na “Pascendi”. Assim, por exemplo, quando católicos “conservadores”, em nome da “fidelidade” à Igreja, defendem esses documentos, o que exatamente eles estão conservando? O veneno e sua capacidade de continuar corrompendo a fé católica de milhões de almas, colocando-as assim no caminho da eterna perdição. Tudo isso me faz lembrar um comboio aliado que cruzava o Atlântico com suprimentos vitais para os aliados na Segunda Guerra Mundial. Um submarino alemão conseguiu emergir exatamente no meio do perímetro defensivo dos navios, de modo que ele estava livre para torpedeá-los um após o outro, enquanto os destroyers aliados exploravam o perímetro ao redor em busca do submarino, sem jamais imaginar que ele estava bem no meio deles! O Demônio está no meio dos documentos do Vaticano II e ele está torpedeando a salvação eterna de milhões de almas, porque ele está muito bem disfarçado naqueles documentos.

Agora, imagine um marinheiro com visão aguçada, a bordo de um dos navios mercantes do comboio, que tenha acabado de notar a ponta do snorkel do submarino. Ele grita, “O submarino está dentro!”, mas ninguém o leva a sério. Será que ele deve esperar e ficar quieto, ou será que ele deve fazer um escarcéu e continuar gritando, até que o capitão perceba o perigo mortal?

A FSSPX deve gritar sobre o Vaticano II e continuar gritando, sem cessar, porque milhões de almas estão em perigo mortal e incessante. Para compreender esse perigo, reconhecidamente difícil de entender na teoria, leia o profundo livro “Prometeo: la Religión del Hombre”, do Padre Álvaro Calderón, sobre os documentos do Vaticano II.

Kyrie eleison.

Dinoscopus – COMENTÁRIOS ELEISON CLXXII (30 out. 2010)

Fonte. FSSPX Brasil

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fernando Haddad ouvirá teóricos sobre veto a Charles Darwin


JC e-mail 4128, de 01 de Novembro de 2010. 

21. Fernando Haddad ouvirá teóricos sobre veto a Charles Darwin 

Conselho da Educação defende que obra tem conteúdo racista e faz apologia aberta ao genocídio e não deve ser usada na escola 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que vai ouvir opiniões de acadêmicos e educadores sobre o parecer do Conselho Nacional da Educação que caracteriza como racista e genocida o conteúdo da obra A Origem do Homem e a Seleção Sexual (é isso mesmo?) (São Paulo, Editora Hemus), de Charles Darwin, considerado um dos maiores cientistas do mundo por ter tido a maior ideia que toda a humanidade já teve: a evolução através da seleção natural. 

Em deliberação, o conselho afirmou que o livro está em desacordo com a legislação do país e que deveria deixar de ser dado aos estudantes ou que isso seja feito com explicações sobre seu conteúdo. Para entrar em vigor, o parecer precisa ser homologado pelo ministro. "Não vou decidir no calor do momento", afirmou ele, ressaltando que é preciso pensar melhor sobre o tema. 

A polêmica começou após Antonio Gomes da Costa Neto, servidor da Secretaria do Estado de Educação do Distrito Federal, ter encaminhando uma denúncia contra o uso do livro à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A pasta encaminhou a crítica ao conselho, que deu parecer contra o uso da obra, numa votação unânime. 

Em relatório seguido de voto, a conselheira Nilma Lino Gomes concordou com as alegações encaminhadas pela denúncia. O livro, distribuído a escolas da rede no Distrito Federal e parte do programa de bibliotecas do Ministério da Educação, elabora teoria sobre a origem e evolução humana, mas preconiza o genocídio de povos indígenas e tem conteúdo racista contra os povos africanos. 

Para o denunciante, a publicação tem expressões de prática de racismo cultural e apologia aberta ao genocídio, principalmente quando menciona os negros e os povos indígenas australianos. Animais como gorila são citados nas comparações feitas aos negros e, para Costa Neto, reforçariam ainda mais os estereótipos relacionados ao negro, ao universo africano. 

No voto, a conselheira pontua: "A despeito do importante caráter científico da obra de Charles Darwin, o qual não se pode negar, é necessário considerar que somos sujeitos da nossa própria época (...) responsáveis pelos desdobramentos e efeitos das opções e orientações políticas, pedagógicas, literárias e científicas no contexto que vivemos." 

O conselheiro Cesar Callegari, que não esteve presente na sessão, afirmou que o conselho, ao ser provocado, sempre vota "baseado na legislação" e não em opiniões pessoais. Mesmo assim, Callegari fez algumas ressalvas à decisão. "Na minha opinião, nunca cabe censura." 

Representantes do movimento negro no Brasil defendem parecer do conselho. "Nós, da Educafro, consideramos Charles Darwin um dos grandes cientistas do mundo. Ele escreveu em seu tempo, no seu contexto histórico", diz frei David, da ONG Educafro. (Imagina então se esse frei defende a história da Igreja com esse mesmo afinco)

Ele faz associação ao movimento Ku Klux Kan, grupo racista que teve atuação forte no sul dos EUA na primeira metade do século 20. "Eles (Ku Klux Kan) faziam coisas que, naquele tempo, eram compreensíveis pela sociedade americana e hoje são questionadas" (humm, o que a Ku Klux  Kan fazia agora é compreensível, caberia aqui supor o que Frei deve entender por Inquisição e as Cruzadas) afirmou. Para o frei, a obra do cientista deveria ter rodapés em todas as páginas em que existam menções racistas. Isso deve ocorrer, cita ele, "em livros que não estejam em sintonia com o pensar de hoje(Fico imaginando se amanhã o Frei mudar de idéia sobre o que disse...o que ele pensa então hoje, amanhã já não terá mais valor)

O presidente da Afrobras, José Vicente, acha que "a literatura, qualquer que seja ela, numa escola, tem de ter finalidade didática". Para José Vicente, se há menção a racismo, mesmo num clássico, seu conteúdo deve ser revisto. "Acho que, ainda que seja Charles Darwin, deve ser motivo de reparo. O livro pode ser utilizado como material de alerta sobre o quanto mesmo Charles Darwin poderia ter reproduzido preconceitos de época." 

(Carolina Stanisci) 

(O Estado de SP, 31/10)
Fonte: http://pos-darwinista.blogspot.com/2010/11/fernando-haddad-ouvira-teoricos-sobre.html

 Sublinhados e pârenteses/comentários em vermelho meus.

Adendo importante: ..."vai ouvir opiniões de acadêmicos e educadores sobre o parecer do Conselho Nacional da Educação que caracteriza como racista e genocida o conteúdo da obra A Origem do Homem e a Seleção Sexual." Oh, oh! Então porque não ter o mesmo olhar para com as obras de Karl Marx?


Atualização: 06/11/2010 (mesma fonte)


Mec quer rever restrição a livro de Darwin.