O IBP, mediante
suas reflexões teológicas, conseguiu ampliar
sua “crítica construtiva” ao Concílio Vaticano II acusando um dos padres da
FSSPX de cisma. Vale salientar, que é bom que os leitores leiam o texto
integralmente aqui, reproduzido pelo Frates in Unum, para que se possa compreender esta minha objeção. O resto é
só questão de honestidade intelectual, coisa que nem todo o católico conhecedor
da crise quer fazer esforço para adquiri-la.
“ O artigo do
abbé Mérel é uma magistral declaração de cisma, ainda que, do ponto de vista do
autor, o pecado de cisma (ou de heresia, ou ambos, o texto não o especifica)
parece ser mais imputável ao Papa e àqueles que se Lhe submetem”. (tradução do blogue São Pio V )
Será que isso é
novo? Tenho o pressentimento de que já vi esse filme. As reflexões dão o tom gravemente preocupante quando
se assegura que a FSSPX é contraditória enquanto aconselha aos seus fiéis a
não assistirem missas do Motu Proprio.
Tal análise inicia-se a partir de uma
declaração do Padre Régis de Cacqueray :
“Para ser completo sobre o assunto, é necessário citar essas outras missas
de São Pio V celebradas sob os indultos sucessivos, depois, finalmente, sob o
Motu Proprio. É verdade que desaconselhamos a vocês a freqüentação. Postos sob
a dependência e sob a supervisão dos Bispos, os padres que a dizem, mesmo
supondo que tenham consciência da gravidade dos erros propagados na Igreja há
quarenta anos, não se arriscam a se opor a esses erros firmemente. Mais
comumente exprimem sua escolha de celebrar a missa de São Pio V pelo motivo
decepcionante de que esta se ajusta melhor à sua sensibilidade ou à de vários
de seus fiéis.
Claro, queremos encorajar esses padres no seu itinerário. Mas, até mesmo
para os ajudar, não queremos que vocês se coloquem em circunstâncias perigosas
em que, indo assistir a essas missas, arrisquem-se a si mesmos ou arrisquem
seus filhos nessa corrosão às vezes insidiosa que provém das imprecisões na
expressão da Fé, da licença persistente que se autoriza na liturgia e sobretudo,
de silêncios e cumplicidades em presença das raízes do mal que existem no
interior da Igreja. Sabemos com que facilidade se operam os deslizes doutrinais
e como se introduzem, imperceptivelmente, as dúvidas e as contestações”. (Tradução
retirada do comentário do Sr. Leonardo no Frates in Unum)
Examinados atentamente o texto e o contexto, agora, pergunto: cadê a
contradição com o que prega a FSSPX? Onde está a política dúbia?
Conhecendo a realidade da FSSPX, percebemos que o tom grave que denuncia
contradições, inclusive a acusação de cisma, logo cai por terra. Sinceramente,
eu até esperava uma reação rápida por parte da FSSPX, tipo uma nota de repúdio
de qualquer um dos sites filiados. Pelo contrário, a reação veio confusa em
alguns sites simpatizantes. O IBP, em vez de ser preciso nas suas argumentações,
provoca discórdias delirantes entre os católicos.
Conhecendo a realidade do IBP, nada mais coerente com o que eles acreditam
desde do início de sua fundação. Eu
daria razão ao IBP se provassem o que dizem, mas não, infelizmente eles não fazem
isso, o que vejo é só uma linguagem estruturalmente bonita.
Vejamos apenas um trecho breve do que disse, certo autor do IBP que não assina as reflexões, traduzido pelo blogue São Pio V, porém retirado do Frates in Unum:
Vejamos apenas um trecho breve do que disse, certo autor do IBP que não assina as reflexões, traduzido pelo blogue São Pio V, porém retirado do Frates in Unum:
“Por outro lado, o pensamento de um
outro teólogo da Fraternidade, o abbé Mérel (já professor em Ecône, e com
cargos no distrito da França) é mais profundo especulativamente, e mais
estruturado teologicamente. Num artigo [2] que ficou célebre – foi publicado em
muitas ocasiões em revistas locais da Fraternidade a partir de 2008 -, e que
possivelmente tenha inspirado as declarações mais vagas do seu superior,
exprime-se ele em termos teológicos acessíveis, mas estritamente bem
construídos.” (tradução do blogue São Pio V)
Eu perguntaria aos reverendos padres do
IBP, ou ao autor do artigo, com todo respeito e com plena consciência de minha
ignorância teológica, se é possível uma “ argumentação bem estruturada”,
“teológica”, “profunda”, “acessível”, “especulativa” entrasse em contradição, e até mesmo, causaria um
cisma? Como assim contradição e cisma? Como um argumento bem estruturado teologicamente pode ser
bom e ao mesmo tempo ruim? Se os
reverendos padres (ou o autor do artigo) querem dizer que o argumento é
regular, ou seja, nem bom e ruim, porque então mentir dizendo categoricamente
que o padre em questão usa termos teológicos acessíveis, mas (sic)estritamente (sic) bem construídos? Não
seja a linguagem cristã “sim sim e não
não” e as demais provém do maligno? A “contradição” de linguagem, pelo que
parece, não é só da FSSPX.
“Para sermos completos, digamos que não
é completamente falso o que disse o abbé de Cacqueray, que às vezes pode ser
desaconselhado assistir a uma Missa. Poderia ser o caso, ainda em missas
tradicionais, quando o significado teológico da Missa de sempre é gravemente
deformado ou até reduzido – como, infelizmente, às vezes acontece – a um puro
fenômeno teatral, que acaba por juntar incenso, sedas preciosas e homilias
heterodoxas. Mas é insustentável que o princípio deva aplicar-se universalmente
a todas as Missas dos que estão canonicamente submetidos ao Papa: uma tal
ruptura da communicatio in sacris, com todos aqueles que subscrevem as
posições da Fraternidade, não é nada mais que a aplicação prática de uma teoria
cismática”. (tradução do blogue São Pio V)
Não é “completamente falso”? Como uma
teoria contraditória, e praticamente cismática, possa ser meia verdade? Existe
um meio de encontrar exceções em contradições? Ou pior, pode haver exceção para se salvar um cisma concreto?
Ah, mas o IBP rejeita o
principio da universalidade aplicadas nas missas motu proprianas (ou ecclesia deianas). Ok, como já foi frisado, o Padre
de Cacqueray aconselha (isto é, não impõe) aos seus fiéis a não assistir
missas do Motu Proprio, e o Padre Merel, por sua vez diz, certamente também
aos fieis da FSSPX, em grosso modo, que não é necessário assisti-las. Dito isso,
como faço para encontrar contradições e cismas nas declarações da FSSPX? Será que
o Padre Merel está
declarado cismático porque usou por diversas vezes a expressão “rallié”?
Eu espero que o IBP não fique
somente em disputas teológicas contra a FSSPX, e deixo claro, devido à
gravidade da situação na Igreja, eu não sigo o conselho do Padre
de Cacqueray , apesar de ser bom. Se eu o seguisse à risca, ficaria sem a minha missa dominical. Conselho é conselho, há que se fazer ponderações sobre eles, como a própria FSSPX permite aos seus fiéis que se faça.. Eu, por exemplo, não perderia a chance de assistir uma missa celebrada por um padre
do IBP, se viesse algum na minha cidade. Honestidade nunca é demais, a não ser que a cegueira consentida já
tenha sido completamente infiltrada na razão de certos padres.