quinta-feira, 24 de maio de 2018

Os caminhoneiros e o discurso histérico de uma neodireita

"Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?
Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?

Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.

E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?
Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22:17-21)



Então, qual o sentido? Cristo não disse que o imposto de César era justo. Tampouco, também não disse que o povo brasileiro não deva se indignar com o aumento do combustível cobrado por Temer. Mas há três coisas que se deve tirar como lição (e não interpretação teológica)* deste ensinamento de Nosso Senhor. 1- A necessidade de se aceitar o sofrimento, mesmo que seja por meio de uma lei injusta, para maior glória a Deus 2- Ter discernimento e sabedoria em determinadas situações de perigo. 3 - Não dar ouvidos aos doutores das dúvidas que estão sempre prontos a nos enganar.  

É o mínimo que falta na cabeça dos grevistas e de seus patrocinadores. Aceitar sofrer, ter discernimento, não ouvir bobagens...


Católicos, vejam bem, isso não é conformismo com a situação política do Brasil. O povo brasileiro conformou-se, acomodou-se, com coisas bem piores, como a proclamação da República em 1889. Uma constituição que determina "todo o poder emana do povo" é que deveria ser o motivo de parar um país. E não uma dor no bolso transitiva e sem diagnóstico político coerente. E pior. Tal revolta prejudica seriamente outros cidadãos e principalmente os mais pobres, e não tão somente o governo. Isso é falta de caridade com o próximo, com o pobre, com a viúva e etc.

A verdade é que os caminhoneiros estão servindo de fantoches da nova ordem mundial e não reagindo a um partido comunista ou lutando contra uma canetada de um presidente da República, embora possam pensar que não trabalham por um lado e nem o outro, só estão fazendo um bem. 

Estes trabalhadores injustiçados e pais de família, que correm riscos nas rodovias, ganham pouco e etc, vivem problemas  de falta de segurança nas estradas e outras mazelas sociais como qualquer brasileiro médio. A diferença, entre eles e os vendedores de quintanda, é porque se tornam o alvo mais confiável, por estarem atrelados a sindicatos, associações e movimentos diversos. E outros tantos a um discurso liberal bem antigo e remendado, como se fosse uma novidade; com ampla divulgação pela internet. Daí, se percebe que não é só os sindicatos da velha e desmoralizada esquerda é que são um problema. Esta categoria grevista de motoristas parece-me mais politizada e controlada pelo vento do momento, que é o vento da neodireita, pois os ideólogos da esquerda aparentemente saíram de cena.  Atendem ao chamado histérico de intelectuais da mídia alternativa dos canais de Youtube**, não importando se seus anseios políticos tenham origem nos neodireitistas monarquistas, disfarçados de católicos ou se nos messianistas intervencionistas, que clamam o fogo do céu vindo da intervenção militar. Nesta hora, o que vale, é que o apocalipse revolucionário (também chamado de vontade do povo) aconteça, independente de sua ideologia partidária liberal. 

Se o governo Temer irá recuar e atender o pedido destes caminhoneiros semirevolucionários, não nos compete fazer conjecturas ou desejar o pior. Nós católicos, fazemos melhor. Orações e penitências pelo nosso país, que infelizmente caiu na desgraça do discurso político desses grupos.

* Interpretação teológica da citação de São Mateus. A interpretação deixo para os téologos. 
** Entenda-se também: Facebook, Whatsapp, Snapchat e outros.

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